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  • MET GALA 23-A Line of Beauty

    Nesta segunda-feira (01 de maio), aconteceu mais uma edição do grande evento do meio da moda, o Met Gala. Conhecido como o Oscar do mundo da moda, o evento acontece uma vez por ano e reúne famosos, marcas renomadas e looks escandalosos em seu tapete vermelho (que é o único momento do evento que a mídia possui acesso). O que é o Met Gala? Existem muitas especulações sobre o que de fato é o Met Gala, a mais falada é sobre o evento ser um jantar beneficente. O que sabemos ser verdade, é que o evento realmente é beneficente para a ala de moda do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. Criado em 1948 pela publicitária Eleanor Lambert, mesma responsável pela semana da moda em NY e popularizado por Diana Vreeland, ex-editora-chefe da Vogue com seus temas anuais. Quem definiu a data do Met Gala (primeiro dia do mês de Maio) foi a atual editora-chefe da Vogue, Anna Wintour (sim, a Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada da vida real), que também é responsável por ter tornado o evento em algo exclusivo para grandes nomes não apenas da moda, mas também da música, das redes sociais (agora) e até mesmo da cena política. Os convidados são escolhidos a dedo pela própria Anna Wintour, porém, segundo o New York Times, tendo que pagar uma quantia que neste ano chegou a US $50 mil (cerca de R $249 mil), com mesas a partir de US $300 mil (quase R $1.5 milhão). O homenageado da noite: Karl Lagerfeld Grande designer alemão que fez seu nome no mundo da moda dentro de grandes marcas, como Fendi e Chanel, foi homenageado devido ao seu falecimento em 2019, mesmo que ele odiasse museus. Como designer de moda, poderíamos pensar que sua marca seria um manequim, um tipo de tecido… Mas sua real marca é constituída por seus óculos escuros, camisa branca, luvas pretas, muitas jóias e seu rabo de cavalo. Apesar de ser um nome grande em sua profissão, Karl teve uma vida rodeada de polêmicas devido aos seus posicionamentos preconceituosos. Devido a essa controvérsia entre seus posicionamentos e ser o homenageado da noite, diversos artistas usaram seus looks como forma de protesto a Lagerfeld. “Pense em rosa, mas não use.” dizia Karl Lagerfeld em seu livro “O Mundo de Acordo com Karl” e em toda oportunidade que tinha de dizer que não gostava nem um pouco da cor. Nenhum artista de fato confirmou os boatos, mas diversas personalidades apareceram no tapete vermelho com looks totalmente cor-de-rosa ou até mesmo com flores rosas. Viola Davis e Naomi Campbell aparecem com um looks extremamente rosa e extravagantes, nos relembrando de tudo que o designer era: simples, nada chamativo, contra a cor rosa e racista. Outros artistas foram mais “discretos” como Rihanna, Anne Hathaway e Card B, que usaram flores em seus looks, Hathaway, inclusive, usou uma rosa no penteado! Tiveram até looks mais que inesperados e criativos: Jared Leto e Doja Cat apareceram como a tão famosa (e milionária) gata de Karl. Outras homenagens inusitadas aconteceram, como Jeremy Pope, que apareceu com um look que contava simplesmente com o rosto do homenageado e a Kristen Stewart, que apareceu como o próprio Karl Lagerfeld! Apesar das “afrontas” e imaginações muito criativas, tivemos muitos looks muito dentro do esperado e até mesmo históricos! Gisele Bündchen apareceu com o mesmo vestido que foi fotografada por Lagerfeld em 2007, Dua Lipa, co-anfitriã do evento, veio com um alta-costura Chanel de 1992 e Billie Eilish com um Simone Rocha super vintage porém atual e elegante, exatamente como Karl defendia. versão revista: https://www.behance.net/gallery/170076577/GODE-MET-GALA-2023

  • Rita Lee: A Rainha do Rock Enrow

    Rita Lee Jones: o símbolo das gerações anteriores, das atuais e das próximas Faleceu nesta segunda-feira (08/05/2023) a cantora Rita Lee, símbolo de muitas gerações e do rock nacional. Essa matéria é mais uma carta de fã do que uma matéria “de óbito”, de uma grande fã para uma grande rockstar. Ícone para lá de desinibido, alto astral e “sincerona” da cena política e musical, Rita, iniciou a carreira na música como integrante da banda Os Mutantes, junto a Arnaldo Batista e Sérgio Dias, mas, após desentendimentos (divorcio) com Arnaldo, a rockeira foi expulsa da banda pelo mesmo. Então, foi em 1973 que Rita e Lúcia Turnbull formaram o grupo Tutti-Frutti, onde nascia a famosa “Agora só falta Você” e “Esse tal de Rock Enrow”, tornando Lee a Rainha do Rock Nacional tendo o álbum “ Fruto Proibido" vendido mais de 200 mil cópias. Seguindo nessa onda intensa de sucesso, em 1976 acontece algo que sequer se conseguia imaginar que renderia uma das histórias mais lindas de amor e muito rock: Rita Lee e Roberto de Carvalho se conhecem e, mais para frente, falaremos sobre essa linda história. Em agosto daquele mesmo ano, grávida de seu primeiro filho, Beto, a cantora foi presa por porte e uso de maconha, em meio a Ditadura Militar. A cantora afirmou a vida toda que não fez uso de drogas durante a gravidez e que a prisão não passou de um ato de censura. Um fato interessante sobre esse acontecimento é que a primeira pessoa a visitar ela na cadeia foi a cantora Elis Regina e, na época, as duas sequer eram conhecidas, mas Elis como uma grande ativista contra a Ditadura e mãe (assim como Rita) não aceitou de maneira alguma que uma mulher grávida fosse presa e por algo que ela comprovou que não ter feito! E foi assim que Rita Lee conseguiu uma prisão domiciliar por um ano. Em 1978, Tutti-Frutti se desfaz por brigas entre os integrantes e um deles resolve sair, levando consigo o nome da banda… E assim, não satisfeita, Rita organiza um último show da banda sem o cara e coloca o nome deles como “Rita Lee & Cães e Gatos” e ainda dando vida a um dos primeiros discos piratas do Brasil. No ano seguinte, Rita e Roberto começaram sua parceria musical, o primeiro álbum dessa grande parceira seria o famoso Rita Lee, que contém a canção “Mania de Você”. O próximo Rita Lee vem em 1980, com o famoso hit “Lança Perfume” e em 1982, participa da primeira edição do Rock in Rio e lança o álbum Rita Lee e Roberto de Carvalho. De 1901 a 1903, Rita fez um tempo de carreira solo, sem a sua dupla dinâmica, esse momento com a turnê Bossa n´ Roll e lançou seu próprio programa na MTV. Em 95, o nosso casal celebra seu casamento civil e depois de um tempo, em 1907, ela nos presenteia com o maravilhoso Santa Rita de Sampa e no próximo ano, seu acústico MTV. Chegando aos anos 2000, ela vem com tudo (tudo mesmo): além de seu Aqui, Ali, Em Qualquer lugar, onde faz “covers” de clássicos dos Beatles com uma turnê internacional de um ano! Rita Lee Jones nunca se aposentou de fato. Fez shows até onde conseguiu e foi um ícone popular e presente até seus últimos dias, sendo sempre divertida, sincera e destemida, nossa Padroeira da Liberdade. Mas passou um bom tempo fora dos palcos por saúde pessoal, quando decidiu ir para a reabilitação, mas diminuiu seu ritmo desde então. As preocupações começam em 2021, quando em um exame de rotina, descobre um tumor primário no pulmão esquerdo, aos seus 73 anos. Seu tumor foi apelidado por si mesma como “Jair” e acho que isso dispensa explicações. Em abril de 2022, seus exames já indicavam a ausência de tal. Em fevereiro de 2023, é internada no Hospital Albert Einstein, em estado delicado. Ficando estável em sua recuperação até maio, no dia 08 deste mês e ano, Rita faleceu em seu apartamento, ao lado de sua família. Levou um pouco de muitos contigo, mas nos deixou sua coragem, humor, paixão e histórias, sendo para sempre amada e admirada.

  • Daisy Jones & the Six

    A parceria mais esperada de todos os tempos rendeu um álbum atemporal, perfeito desde a capa até a ordem das faixas. Sendo a definição de Rock, AURORA traz sentimentos à flor da pele e letras marcantes, deixando claro o que é Daisy Jones & The Six. Faça o download das covers(capinhas) para personalizar a sua fita caseira:

  • Van Gogh: O artista por trás das Artes

    Popularmente conhecido como Van Gogh, Vincent foi um pintor Holândes nos anos 1980, mas só ganhou seu reconhecimento após seu (suposto) suicídio, visto que, enquanto vivo, vendeu apenas um único quadro. Tornando-se um rosto muito presente na atual cultura pop, Gogh levou uma vida com muitas dificuldades, arte e longas viagens (para casas de repouso, clínicas ou qualquer lugar que abrigassem-no). Além das cartas trocadas com o irmão, se tem mais registros da vida do pintor através de sua grande paixão: a arte. A complexidade de Van Gogh e seus conturbados sentimentos está entre suas pinceladas, nos girassóis… E em uma orelha arrancada. Antes da Arte Nascido em uma família com mais de cinco irmãos, seu pai era pastor de uma igreja protestante e sua mãe, uma artista que praticava desenhos e aquarelas. Com dezesseis anos, precisou desistir dos estudos e começar a trabalhar para ajudar sua família. Mesmo muito novo, já era fluente em quatro línguas e passou a ajudar seu tio em uma filial da Galeria Goupil, uma importante empresa internacional de comércio de arte. Por quase 10 anos, trabalhou a serviço da galeria, viajando e conhecendo outras culturas europeias, como a inglesa e a francesa. Antes de se dedicar à pintura, Vincent também pensou em seguir a carreira do pai e estudou teologia por um ano, mas logo desistiu da carreira missionária. O Primeiro Quadro De forma autônoma, o garoto de vinte e poucos anos começou a estudar anatomia, desenho e arte, mas, a prática de fato, veio tarde, por volta dos 28 anos, uma vez que queria aprofundar seus estudos sobre arte em Haia, na Holanda. Seu quadro mais antigo, Os Comedores de Batatas, retrata a vida simples que os camponeses do local levavam. Seus tons sombrios revelam a natureza triste do local e do seu momento de vida: o ano era 1885 e seu pai havia falecido de uma forma muito rápida, da qual Van Gogh não estava preparado e nem ao menos estava perto, o que desconstruiu o artista, mesmo que nunca tiveram uma boa relação. Primeiro Contato com o Impressionismo Ainda mais deprimido e angustiado do que de costume, Vincent decidiu fazer uma breve viagem a Antuérpia, na Bélgica, logo depois de alocar-se em Paris, onde teve contato com os grandes pintores da época, como Monet e Renoir, suas grandes influências para testar o impressionismo. Financiado por seu irmão, Theo, em 1887 o artista mergulha em uma fase muito produtiva, pintando mais de 200 quadros entre os quais estão: Natureza Morta com Absinto, que vem com os primeiros indícios de Gogh ao alcoolismo e o famoso Autorretrato com Chapéu de Palha. Girassóis de Van Gogh Depois do rigoroso inverno de Paris, em fevereiro de 1888, o artista tem sua primeira internação. Sua família sempre especulou sobre a saúde mental do mesmo, mas, como tudo (ainda) era suspeito, foi apenas internado em uma casa de repouso relativamente afastada da civilização, já que, na época (muito menos do que atualmente), pessoas com distúrbios mentais eram tratadas como "aberrações" pela sociedade. Sendo assim, teve muito tempo para desfrutar e pintar as paisagens ao ar livre. Um fato interessante sobre os vários quadros que Van Gogh pintou de girassóis é que estes estão sempre em vasos e em lugares planos, isso porque a moça que cuidava da casa a qual ele estava internado, tinha costume de colhê-los e usar como enfeite de mesa, já que havia uma plantação vasta deles no jardim da casa. Inspirado pelas cores quentes e a natureza local, o pintor descobre que a pintura é, além de um trabalho, também uma forma de controlar suas crises. Quando podia ir um pouco mais longe de casa, pintou quadros inspirados na paisagem urbana, como Arles, à noite. O Único Quadro Vendido Em novembro de 1888, Vincent pintou A Vinha Encarnada, o único quadro que foi vendido (por seu irmão para um conhecido) enquanto o artista ainda estava vivo. Em uma das inúmeras cartas enviadas ao irmão, Gogh diz que o quadro foi pintado pós-chuva, com folhas de parreiras espalhadas pelo chão, vermelhas igual à vinho. O quadro foi vendido em uma quantia equivalente a atuais 500 dólares, mas, apenas para fins comparativos, um de seus quadros mais valiosos, Retrato de Dr. Gachet, foi vendido em 1990 (Gogh faleceu em 1890), por 82,5 milhões de dólares. Perda da Saúde Mental… E da Orelha Em 1889, as pessoas ao redor acreditam que ele está pronto para sair da casa de repouso e morar sozinho, mas acontece um dos mais famosos e preocupantes atos de Van Gogh: o pintor entra em crise e corta a própria orelha, deixando o quadro Autorretrato com a Orelha Cortada como registro. Não existe uma versão exata do que levou o artista a cortar a própria orelha (por mais que a história sobre ele ter tido uma paixão não correspondida por uma prostituta seja bem famosa, muitos historiadores dizem que nunca aconteceu), a história mais aceita dado aos acontecimentos na vida dele na época, é que lhe ocorreu um acesso de fúria após uma séria briga com Paul Gauguin, seu colega de quarto que também era artista, mas levada uma vida muito mais boêmia do que a do colega de pousada e ambos tinham crises temperamentais. Esses desacordos são retratados em obras reconhecidas como A Cadeira de Van Gogh e A Cadeira de Gauguin, ambas, embora costumavam ser lado a lado em “tempos dourados”, são pintadas separadamente e pouco tempo antes de seu acidente (e não se tem vestígios de pinturas inspiradas na suposta protistuta decepadora de orelhas). O Começo do Fim Após o incidente da orelha e muitas discussões sobre seu estado psicológico, em março de 1889, interna-se voluntariamente no Hospital de Saint-Rémy. Sugerido por seus médicos, seu quarto tem um espaço extra perto da janela, o qual é feito uma espécie de ateliê que, tempo depois, seria testemunha de aproximadamente 200 quadros completos e a tão famosa Noite Estrelada, que nasceu literalmente em meio a o que seria sua maior crise. Também é testemunha de muitos auto retratos, os quais sempre está lado, escondendo o fato de não ter mais as duas orelhas. O Suicídio de Van Gogh Após quatro meses de internação hospitalar, o pintor recebe uma proposta do Dr. paul Gachet de morar em Auvers-sur-Oise e ser paciente exclusivamente do doutor, assim ele se muda para um pequeno quarto na parte superior de um bar na cidade. Homem Velho com a Cabeça em Suas Mãos é seu último quadro completo e retrata bem seu estado psicológico. Apesar do constante tratamento médico e o suporte financeiro e emocional vindo de Theo, o artista ainda sentia-se miseravelmente infeliz. Em julho de 1890, Vincent Van Gogh sai em direção ao campo de trigo da cidade, onde todos já sabiam que o artista tinha costume de criar suas pinturas, contudo, está acompanhado de uma arma (que ninguém sabe realmente como ele conseguiu) e atira no próprio peito. No entanto, a bala não mata-o de imediato e ele recebe a chance de caminhar até sua atual casa, encontrando o dono do bar que rapidamente procura por Theo e um médico. Theo consegue chegar dois dias antes que seu irmão viria a falecer.

  • The Last Of Us – 1x01/02: Quando a vida imita a arte

    Chegando com a enorme responsabilidade de honrar a grande obra estabelecida nos vídeo games, em uma época onde hodiernamente adaptações baseadas em jogos não costumam ser bem retratadas, a série baseada em um dos jogos mais famosos de todos os tempos com certeza não decepcionou. Estreando com opiniões positivas e ótimas notas dos críticos, conta com nomes já aclamados em sua direção, como próprio criador da obra Neil Druckmann e Craig Mazin conceituado por outras obras como a série “Chernobyl” (2019). Abrindo com uma cena de contextualização pouco expositiva, para os não familiarizados com a obra, mostra como a série está seguindo um caminho onde todos podem apreciar a história e sim, com certeza foi feita para agradar os fãs, mas não vai deixar de agradar até mesmo os que desconhecem, pois a cena inicial cumpre muito bem o papel de inserir a narrativa para o público que está tendo seu primeiro contato com a obra, e essa parte não é nada filauciosa nesse quesito, logo após, para a alegria dos aficionados, uma abertura muito bem produzida, pensada detalhadamente para mostrar a identidade visual da obra e com a música tema de The Last Of Us sendo usada, um aspecto que agradou os telespectadores que já esperavam a muito por essa estreia, então logo nos primeiros minutos, a priori já cumpre o papel de criar entusiasmo para o que estará por vir. Falando de trilha sonora, fomos agraciados com a volta do criador da trilha original do jogo, Gustavo Santaolalla, que fez um ótimo trabalho, com mais trilhas originais para a série, como músicas ambientes, trilhas melancólicas dentre outras músicas que lembram o estilo das trilhas clássica do jogo, além da volta de várias das próprias usadas no jogo em si e não só trilhas e músicas originais, mas também artistas conceituados: temos a honra de ouvir nesse primeiro episódio a canção “Never Let Me Down Again” (1987) do “Depeche Mode”, nos mostrando aquele ar de músicas antigas que os personagens dos jogos apreciam. A série conta com uma fotografia incrível, juntando com a caracterização dos figurinos, e as atuações que, diga-se de passagem estão impecáveis. A mescla de tudo isso cria uma imersão capaz de te fazer esquecer da realidade, a fotografia das cenas foi pensada para convencer e inserir o telespectador no mundo da obra, enquadramentos de câmera de encher os olhos e detalhes precisos, como nas roupas dos personagens, sujas e rasgadas, você crê que é o apocalipse, se olhar bem, dá para ver os dentes amarelados dos personagens, mostrando a falta de higiene e as condições de deletério em que eles vivem, provenientes da falta de recursos, até o único infectado que apareceu no episódio, que nem vivo estava, é extremamente bem detalhado, você poderia sentir o peso do ambiente putrefato, cheio de fungos crescendo, pequenos detalhes sub judice da narrativa, isso foi aplicado extremamente bem em serviço da urdidura da obra... A atenção em detalhes dos produtores é espantosa! Nada é por acaso, se está em tela, é proposital, como por exemplo as cenas em que mostram Joel fazendo algo, certas vezes existe um enquadramento onde o relógio dele está centralizado, mesmo a cena em si não sendo sobre o relógio, pois sabemos o peso emocional que esse relógio tem, esses e outros detalhes são fantásticos. A atuação dos atores é outro show à parte, Pedro Pascal, Bella Ramsey, Nico Parker... todos eles encarnaram verdadeiramente seus personagens, você olha para eles e enxerga aquele personagem que você viu anos antes jogando, a verossimilhança, os trejeitos, a personalidade, até o sarcasmo e as idiossincrasias estão no ponto… e em cenas mais fortes, você sente a emoção. Nico Parker entregou tudo na cena em que sua personagem Sarah é baleada, é emocionante, se você tiver um coração fraco, lagrimas irão escorrer pelo seu rosto. As referências estão no ponto. Durante o episódio podemos ver várias delas, e nem sempre estão expostas à nossa visão, alguns takes de câmera são literalmente idênticos a cenas do jogo em si, às vezes você não sabe se está jogando ou assistindo. (The Last Of Us) - Série 2023 (The Last Of Us) - Jogo 2013 Assim como o jogo, a série não é sobre “zumbis”, é uma história sobre pessoas, e pessoas tem problemas, pessoas cometem erros, são egoístas… pessoas são animais e isso rende um assunto que chega a ser até filosófico, pois os personagens são tão complexos e profundos que surgem tantas nuances a se analisar. Joel, por exemplo, é um homem desesperançoso e amargurado, perdido em sua própria sobrevivência, após perder seu bem mais precioso... foi um homem que sofreu pelas vicissitudes da vida, antes da pandemia ele trabalhava muito, e se esforçava para que ele e sua filha pudessem ter uma vida e esquecia de coisas importantes, coisas pequenas como seu aniversário, ou coisas grandes como às vezes em que esquecia de aproveitar o tempo que tinha com sua filha, pois assim como Platão disse “Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida”, Joel infelizmente esperou para perceber isso... e assim se segue, de personagem em personagem, cada um com seus objetivos e conflitos internos, compartilhando uma mesma realidade sem esperança, onde o que sobrou foi dominado pela natureza em um processo cuntatório, e no fim, pelo que restou do Governo, e agora os militares da FEDRA com seu regime sectário comandam tudo com mão de ferro, em um mundo que sociedade voltou a ser barbara, com penas de enforcamento em praça pública... O mundo não era mais tão inócuo, a tolerância zero dos militares pela sobrevivência valia mesmo a pena? Essa era a dúvida dos primeiros que criaram a insurgência, e assim nascem os vaga-lumes, que em tese, vieram trazer a luz, mas a verdadeira luz para a humanidade, está em um paralelo, em um truque de câmera onde os telespectadores veem a verdadeira luz... Se está perdido na escuridão... procure a luz! Quando Ellie surge em cena (a primeira vez em que a vemos), um raio de sol cobre seu rosto e vemos como Bella Ramsey conseguiu fazer um trabalho esplendido dando vida a esta personagem tão amada Ellie, sempre muito sagaz e sarcástica, que cresceu órfã em algum orfanato militar da FEDRA, era feroz, porém ainda assim uma pequena garota, que um dia carregaria todo o destino da humanidade em suas mãos. De início é o que temos, a história está engajada e o primeiro episódio fechou com um grande gatilho para o que está por vir, as mudanças sutis de narrativa não causam nenhum efeito negativo ao resultado final, talvez essa série mostre ao mundo a quintessência das adaptações de vídeo games, a fidelidade é o ponto alto, é esse trabalho fidedigno que nos fez sentir que estamos realmente assistindo à The Last Of Us. Logo no início do segundo episódio, nos é mostrado mais um pequeno prologo, que dá mais clareza de como foi o processo endêmico no início, quando o fungo começou a se espalhar, como foi descoberto e estudado e quando perceberam com o que estavam lidando, o início do episódio nos leva a Jakarta na Indonésia, onde uma doutora é levada para instalações do governo e a ela é mostrada uma infectada que havia sido morta pelas autoridades, após atacar pessoas em uma fábrica, fazendo algumas análises, a doutora fica aterrorizada com o que vê e assegura que a única forma de deter a infecção é bombardeando tudo. Em uma cena onde os diretores de fotografia dão um show de competência, enquanto a doutora fica cada vez mais emocionada, o close que a câmera dá, chegando cada vez mais perto de seu rosto, com a música melancólica subindo, é fantástico, e depois, entra a abertura. Um aspecto interessante são as datas, enquanto no jogo o surto ocorre em 2013, na série foi alterado para 2003, uma mudança sutil, mas que ajuda a trazer imersão maior, pois com os vinte anos passados, a série acaba se passando nos tempos presentes, um fato que pareceu não incomodar ninguém. Realmente podemos dizer que esse episódio foi feito com bastante “fan servisse”. Com inúmeros paralelos ao jogo, coisas tão sutis que nem chegam a ser referências e, logo na continuidade, vemos Ellie, um pouco mais de sua personalidade, desenvolvida em seus diálogos, vemos mais de seu jeito de ser e de agir, ela é brincalhona e bem sarcástica, uma menina que nunca viu o que o mundo realmente é, apesar de ser muito inteligente, pois cresceu lendo vários livros e aprendendo sobre o mundo, mas a teoria não se aplica realmente ao mundo real e agora ela está prestes a ser testada e ver se está realmente pronta para encarar o que poucos conseguiriam. Ellie sempre nos é mostrada simbolizando a esperança, como o que ainda resta de bom no mundo. Ela é forte, assim como as ervas daninhas que insistem em crescer entre as vigas dos prédios abandonados, Ellie é mostrada sempre na luz, em contraparte a Joel e Tess, talvez simbolizando a pureza ou inocência, nesse take Ellie está no verde predominante, sobre os raios de Sol, onde a vida cresce, já Joel e Tess no canto escuro, na construção de concreto, onde nunca houve vida, Ellie é como a natureza, cresce sem olhar as adversidades, ela suporta e sobrevive. Os diálogos entre os personagens foram extremamente satisfatórios, nos ajudando a entender mais de sua essência. Eles conversam sobre muitas coisas e Ellie traz à tona os infectados, daí temos a primeira citação a um dos infectados que é a cara da obra, os estaladores, nos é mostrado aqui o quão temidos eles são, pois uma simples menção a eles fez com que a conversa que se seguia animada ficasse um total silêncio, é também a primeira vez que nos é apresentado o exterior de verdade, em um dia claro que podemos ver toda a destruição, a natureza tomando seu lugar de direito, nas velhas cidades onde antes eram nossas casas, agora não passam de entulhos atrapalhando o caminho e enormes crateras para nos lembrar o que sobrou dos bombardeios, nisso a fotografia não peca, os cenários têm extrema qualidade, o trabalho de causar imersão foi cumprido com sucesso, desde carros abandonados, aos prédios caídos, tudo está incrivelmente bem produzido O roteiro não tem pressa de nos mostrar nada, enquanto eles andam pela cidade e conversam, tudo é desenvolvido sem pressa: as dúvidas são respondidas, caminhos são traçados e nos é mostrado uma nova visão, sobre uma conexão que o fungo consegue criar entre os infectados, fazendo eles se comportarem como abelhas em uma colmeia, o fungo cresce cabos extremamente profundos no chão que os tornam capazes de se interligar e passar informações de infectado para infectado, isso é um novo aspecto muito interessante criado na série e pode trazer muitas ocasiões interessantes no futuro. Ademais, temos também um vislumbre de uma futura relação que começa a se desenvolver a partir daqui, onde Joel começa a aceitar melhor a presença de Ellie, cuidar dela (na medida do possível) e ensinar coisas que ela ainda não sabe, Joel parece estar gradualmente, e sem perceber, se permitindo se importar com alguém de novo, podemos reparar isso em vários momentos, como quando Joel estranha um toque, ou quando novamente olha para o seu relógio que está em close, uma peça sempre central sobre seu trauma. Um roteiro é basicamente intenção e obstáculo, o objetivo era levar Ellie até o prédio do congresso, mas o caminho não é simples e isso cria a viagem: todos os caminhos por quais passaram, até que chegam ao museu... uma parte memorável já consagrada no jogo, onde aqui fazem com uma maestria incrível, eles conseguem criar o drama e o suspense, colocando os personagens em um lugar escuro, dominado por fungos crescendo nas paredes, no chão e nos cadáveres acima dele, o ambiente causa uma sensação de ansiedade iminente, e aqui mais uma vez vemos como os estaladores causam arrepios na espinha, quando no escuro, escutamos o primeiro "click", enfatizado também pela ótima mixagem de áudio que deixa tudo com uma qualidade ainda mais alta, o medo enclausurado paralisa a todos, mas não espere por ação ainda, quando realmente temos o vislumbre do monstro, ele é mostrado de cara e corpo antes de toda ação acontecer e o suspense torna-se extremamente satisfatório quando é revelada pela primeira vez o rosto distorcido e cheio de cogumelos de um estalador que, diga-se de passagem, está com uma caracterização impecável. E não só isso, mas todo o resto, como sua movimentação, os estaladores estão extremamente bem retratados e logo após uma cena tensa de ação e suspense, o alívio toma conta, nossos protagonistas podem continuar a jornada. A ação é satisfatória, mas não se prenda a ela, se não isso vai se tornar só mais uma série qualquer. Durante o episódio, sempre nos encontramos ouvindo um violão suave sendo tocado de fundo, às vezes, vai crescendo a medida em que a cena se desenvolve... e quando não podíamos esperar ver mais, outra cena marcante acontece, eles enfim conseguem chegar ao objetivo, só para descobrir não haver mais vaga-lumes lá esperando por eles, Tess foi infectada, e agora sua esperança, que outrora estava apenas em pegar a recompensa pelo trabalho, agora está sobre Ellie, que deu a Tess uma nova visão, de talvez consertar tudo, então Tess implora a Joel para levar Ellie até Bill e Frank, outra citação a personagens que estão por vir, e se não bastasse, uma horda de infectados está correndo diretamente a eles, graças a ligação que os infectados tem e a essa capacidade de passar informações... Tess se sacrifica para dar uma chance aos dois, em uma cena espetacularmente linda de se ver, onde no fim, Tess é agraciada com um asqueroso “beijo da morte” logo antes de explodir o prédio do congresso. Então vemos Ellie em um plano aberto, com a natureza ao seu redor e o prédio em chamas ao fundo, com a música ficando cada vez mais alta, uma cena que mostra a emoção que só uma verdadeira obra de arte nos faz sentir, nos mostrando que a jornada acabara de começar. *Nota dos Primeiros dois episódios: 10/10

  • Jimi Hendrix e a Teoria do Axis

    Em 1967 Jimi Hendrix nos apresentava o álbum Axis: Bold as Love com a faixa principal sendo Bold as Love, escrita para seu amor Katy Etchingham. Hendrix e nem Katy deram entrevistas falando sobre a música, Jimi não pode ficar para contar sobre as faixas do disco e aí fica a dúvida: O que é o Axis? Jimi Hendrix é mundialmente conhecido como um dos maiores guitarristas do século, segundo o Dicionário de Cambridge, Axis significa: “uma linha real ou imaginária que passa pelo centro/meio de algo que está girando, ou uma linha que divide, de forma simétrica, este algo em duas metades iguais”, em outras palavras, Axis se refere ao eixo de algo. Mas… O que seria esse “algo”? E o que seria esse eixo? Hoje, trago duas teorias sobre o Axis. 1- Teoria Geográfica Eu lembro que quem me deu essa visão do Axis foi uma amiga minha. Eu estava totalmente revoltada por não saber o que era e muito menos conhecer o Axis e ela foi atrás dele para mim, me chegando com o significado que coloquei no parágrafo acima, junto de um print (que eu perdi) dizendo que também era uma ilha! E, se o Axis também é o eixo de algo, então das duas uma: ou a ilha é o centro de algo, ou existe algo no centro dela. A minha teoria da teoria é: existe algo no Axis (ilha ou eixo) para Katy, algo meio como um tesouro. É uma ideia muito lindo, mas se você conhece bem os astros do rock dos anos 70 você vai achar a segunda teoria muito mais convincente do que essa. 2- O Axis e o LSD Jimmy Hendrix já deixou claro que o álbum Axis:Bold as Love foi escrito 100% sob efeito de alucinógenos e é baseado em uma das viagens dele para o outro universo e a teoria final é: Hendrix explorou um universo muito colorido (que eu não posso afirmar que foi junto a Katy, pois não sei se ela fazia uso desse tipo de alucinógeno) que lembrava Katy, a relação deles e de como ele se sentia diante disso, portanto, Axis não é um o que, mas sim um algo (um lugar, uma pessoa, um lugar-pessoa…) e cada emoção sentida e vista por ele, tanto no amor quanto no Axis, é uma cor. E, se depois de tudo isso, a Katy ainda tiver alguma dúvida sobre o amor deles, basta ela perguntar ao Axis. Minhas notas sobre Axis Primeiramente: por mais que, no final de contas, só temos teorias e nunca saberemos realmente o que era o Axis ao qual Jimmy se referia, posso dizer com propriedade para vocês: o Axis é forte, muito forte mesmo. Não, eu não fui para o Axis (a ilha ou ao outro universo), mas contei dele para poucas pessoas e acreditei nele para algo poucas vezes. Foi o Axis que me deu a iniciativa de começar a escrever de verdade o meu primeiro livro, You are Art, porque queria um Axis meu, presenciei amigos (aqueles verdadeiros) me ajudando e me divertindo com o que eles pensavam ser um Axis e competindo um lugar com You are Art, (usufrui do Axis para conquistar o meu atual namorado kkkkkkkkk) Zatara queria saber algo que eu era fissurada só que eu só tinha para mim (algo como uma paixão secreta) e eu contei do Axis para ele em um intervalo da escola e alguns dias depois ele me beijou e desde então eu ando escondendo o Axis porque acho que depois daquilo eu estou mesmo é devendo uma para ele! Mas trago ele unicamente aqui no Godê porque ele é uma junção de todas as minhas paixões: Zatara, amigos, livros, arte e escrever. Sendo assim, posso dizer que, para mim, o Axis é um sentimento, mas como sentimento, ele também pode ser um lugar-pessoa. Cores, amores, lembranças e declarações…Todos são sentimentos, mas são avassaladores, o que eu sinto pelo Zatara é mais do que amor, o que eu sinto pela escrita é mais do que paixão e admiração, o jeito que eu sinto a arte é mais do que o imposto… É Axis. You are Art e Zatara são o meu Axis, aquilo ao que você recorre quando está triste e também quando está feliz, que dá um sentimento quentinho e animador…Para mim, é o tão curioso Axis e espero que ele continue me proporcionando essas experiências tão marcantes, porque eu amo cada uma delas, é um sentimento tão forte e valente quanto o amor. E, se você tiver alguma dúvida, declaração ou curiosidade… Bom: just ask the Axis.

  • Mistérios de Papel

    Existe alguma personagem não complicada e escrita por John Green? Apesar de divertida, Margo Roth Spiegelman é com certeza a personagem de Green que mais tenho vontade de bater (e olha que ele também escreveu a Hazel Grace). A história publicada em 2013 pela Intrínseca conta sobre a coisa mais gostosa que podemos desfrutar: a juventude. Margo invade a casa de colegas? Sim, mas é porque ela é jovem… Ben está desesperado em ter um par para o baile de formatura em um ponto que pode chegar a ser irritante? Sim, mas você sabe que jovens têm essas preocupações… Quentin perdeu a própria formatura para solucionar um mistério dramático e que, se olhar de verdade, era mais uma rebeldia da Margo? Claro que sim! Ele é jovem. Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é só mais um dos nerds de sua turma.Certa noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte.Quando descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia. Antes de qualquer nota e reflexão minha, preciso dizer o quanto eu achei genial a forma como o livro é separado diagramáticamente. Um prólogo, a parte dos fios, da relva, do navio… E AS HORAS, meu Deus, chegou no horas e eu só estava naquele meme do Sheldon de The Big Bang Theory gritando “Eu não preciso dormir, eu preciso de respostas!!”. John Green consegue (acredito que sempre) aguçar a curiosidade de seus leitores e pasmem com spoiler: não precisou matar ninguém! Mas como outros livros que já publicou, é um enigma em tanto. Apesar de Quentin ser um eterno “eu fiz bagunça… Agora você arruma!” Para Margo, ambos viveram sua vida de colegial muito bem, mesmo Margo não gostando do rumo que ser popular a levou, ainda proporcionou uma aventura ao seu amigo de infância e aos amigos dele, foi embora mas não o deixou só! Na verdade, ainda deixou sua versão original para ele, uma vez que podemos ler que cada amigo ou conhecido de Margo tem uma visão dela, ficando difícil de descobrir qual delas é a versão real e o que ela realmente quer. “Estou indo embora, e o ato de ir embora é tão empolgante que sei que nunca mais vou voltar, mas e depois? Você continua simplesmente indo embora dos lugares, abandonando-os, vadiando uma jornada perpétua?” Nem de longe Cidades de Papel é o livro mais impactante do autor, mas é uma leitura divertida e que traz uma boa sensação ao ver Quentin e seus amigos se divertindo e agindo como adolescentes, é gostoso viajar pelas cidades de papel.

  • Deixem as Líderes de Torcida Sozinhas

    Deixe a Neve Cair era um dos livros que eu mais estava ansiosa para ler nessa maratona. Apesar de não gostar nadinha do Natal, esse livro (e o exemplar que possuo) passou por todas as mulheres da minha família (aqui em casa funciona basicamente assim: a minha mãe ou a minha avó comprar um livro, amam ele, contam em uma reunião familiar que gostaram e aí todas as outras mulheres querem ler, o meu maior trauma infantil é a conversa sobre Cinquenta Tons de Cinza) e todas elas gostaram bastante, mas eu nunca li justamente por não me animar com o natal. Confesso que não é um livro avassalador e atemporal, mas é uma leitura gostosa. Na noite de natal, uma inesperada tempestade de neve transforma uma pequena cidade num inusitado refúgio romântico, do tipo que se vê apenas em filmes. Bem, mais ou menos. Porque ficar presa à noite dentro de um trem retido pela nevasca no meio do nada, apostar corrida com os amigos no frio congelante até a lanchonete mais próxima ou lidar sozinha com a tristeza da perda do namorado ideal não seriam momentos considerados românticos para quem espera encontrar o verdadeiro amor. Quando o trem que deveria levar Jubileu para a Flórida atola na neve, ela decide se aventurar do lado de fora. Por sorte, encontra uma lanchonete aberta: a Waffle House, onde conhece Stuart, um rapaz que ainda não se recuperou totalmente de um coração partido. Enquanto isso, Tobin e seus amigos, JP e Duke, estão curtindo a véspera de Natal escondidos em casa, assistindo a uma maratona de James Bond. Mas, apesar da nevasca, os três decidem enfrentar a noite fria e seguem para a Waffle House da cidade - ou assim eles pensam... Já a vida de Addie parece miserável desde o término do seu namoro. Agora, um dia depois do Natal, ela precisa provar que não é egoísta - e vai fazer de tudo para cumprir uma promessa, mesmo que isso signifique enfrentar o passado. Os jovens desses contos têm mais em comum do que apenas a nevasca que isola a cidade. E como nada acontece do jeito que eles haviam planejado, resta a pergunta: será que a magia do Natal vai presenteá-los com o milagre que eles tanto desejam? Sendo um livro de três histórias e sem dar muitos spoiler, posso dizer que: 1- Eu gostei muito da Jubileu, tenho um fraco por personagens que se estressam com tudo e tomam decisões absurdas (autocrítica), mas não foi meu conto favorito. Apesar de ser uma história legal e com um final bonitinho, não concordo com nenhum dos personagens se não a Jubileu, todo mundo ali tem um caráter a ser muito analisado e não foram, não deu tempo. 2- Eu adoro a Duck e sinceramente, queria ser amiga dela unicamente porque também quero maratonar James Bond em paz e porque não namoraria ninguém que não fosse o Zatara. Mais uma vez eu me identifico (de uma forma muito crítica) com a personagem que nunca é nada além da amiga só porque ela não usa uma saia, apesar de que eu teria feito o Tobin esperar o tanto que ela esperou ele notar que o amava, mas isso é só o meu espírito vingativo falando alto. Um final legal, mas assim como o natal, não é muito avassalador e, pelo amor da divindade que vocês acreditam, parem de correr atrás das líderes de torcida, EM QUALQUER SITUAÇÃO. 3- Meu favorito, lindo e gostosinho (tinha que ser uma Lauren) conto, fofo demais. Addie e seu ego afetaram eu e o meu ego porque não achei que ela estivesse errada em alguns pontos, mas garotas mimadas geralmente demoram a entender mesmo. Apesar de (todos os contos) ser curtinhos gostei dessa aventura por um porquinho e apesar do final ser uma gracinha e divertido, não perdoem traições. (esta resenha não tem trechos do livro pois só grifei as frases engraçadas) Adorei a jogada de não serem contos aleatórios e sim histórias que se conectam mesmo que indiretamente, o final do último conto me deixou de queixo caído porque achei muito inteligente e divertido, mais divertido ainda é ver os personagens de um conto se referindo aos do conto anterior e o primeiro conto sendo muito conectado com o último, adoro esses pequenos detalhes literários.

  • O Machismo na Cultura Nerd

    Honestamente, a Aliança Rebelde seria a mesma sem a Princesa Leia? Ou Wakanda seria a mesma sem sua representatividade feminina? Analise tudo que elas fizeram em suas histórias, como agiram ao decorrer das situações presentes nas histórias e, se a sua resposta não for um “personagens femininas na cultura nerds são PERFEITAS” então você claramente precisa ler essa matéria e entender porque mulheres dentro do universo geek são tão importantes. “Ainda é preciso reforçar a importância de valores que a cultura nerd nos ensina como sendo uma grande aliada na educação de jovens de modo geral, seja sobre preconceito, identidade de gênero, empatia...A cultura nerd ensina princípios.” Safira Mendes, uma das entrevistadas, não deixa de ressaltar. Garotos ainda sofrem bullying simplesmente por gostarem desse universo, só por ser algo que mexe com fantasia e realidade ao mesmo tempo e ainda estar “fora da bolha”. “Acho que a parte mais difícil é o preconceito que nós (mulheres) sofremos, seja quando ficam questionando o meu conhecimento sobre o assunto ou até mesmo zombando por não saber de coisas que, para eles, são consideradas óbvias.” Mas, como nossa outra entrevistada, Elaine Campos, nos conta sobre qual a parte mais cansativa de ser uma garota nerd, não é novidade para nenhuma pessoa do gênero feminino que o machismo está instaurado em nossa sociedade fazem anos e mais anos e nem que somos questionadas três vezes mais sobre nossos conhecimentos do que quando se trata de pessoas do gênero masculino. Se fossem apenas os olhares estranhos quando se usa uma camiseta com referência aos Vingadores, ainda conseguimos seguir em frente um pouco mais confiantes do que quando somos quase fadadas a ouvir comentários desrespeitosos e inconvenientes. Elaine mesma relata que: “Já passei por vários momentos que fui julgada por ser uma garota nerd. Na escola, os tão chamados “garotos nerds” amavam encher a minha paciência quando eu tentava conversar sobre Jornada nas Estrelas ou sobre jogos, além de ficarem perguntando várias coisas sobre o assunto e ser mais zombada se demorava para responder… Foi um período difícil.” E, acredito que se isso fosse só na escola e com pessoas de fora, entenderíamos que é algo de fora e, em algum lugar, vamos encontrar nosso apoio…Mas o preconceito é instaurado até dentro de casa, como o caso que Nicolle contra sobre o que ocorreu com sua família e como lidou com isso: “Minha memória não é muito boa pra lembrar de momentos específicos, mas minha família muitas vezes já insinuou que eu sou "um garoto" por gostar de Naruto, por exemplo. Eu gostava muito quando era mais nova, gostava de usar blusas, essas coisas e minhas primas são mais "femininas". Isso aconteceu quando eu comecei a gostar também do universo da Marvel, eu me dava bem com os meus primos e meu pai porque sempre consideraram isso como algo de menino, então falavam que eu era como um menino, etc, e começaram até a me perguntar se eu gostava de meninas por isso (o que não tem nada a ver). Eu acabei me afastando muito desse lado da minha família, hoje eles respeitam o meu espaço, mas me veem como "chata", "anti social"...Mas eu realmente evito reuniões de família, festas, essas coisas, não nos damos muito bem.” Mesmo sendo a maior parte de pessoas que consomem essa cultura, a nossa representatividade dentro dos conteúdos continua sendo, na grande maioria das vezes, como personagens completa e unicamente sexualizadas (principalmente quando se trata de jogos e animes), fúteis, sempre tatas como se tivéssemos pouquíssimo intelecto e, principalmente, sempre tratadas como muito infantis (o que poderia facilmente ser pautado como sexualização infantil, mas isso é outra pauta) ou muito raivosas. Nunca somos mostradas como fortes e ainda assim belas ao mesmo tempo, o que dá a entender que mulheres nerds são menos "femininas'' do que aquelas que não consomem “conteúdos masculinos”. Em particular, eu passei uma boa parte da minha adolescência me privando de sentir prazer em cuidar de mim: não me diverti aprendendo a me maquiar de várias maneiras, não usei vestidos e tive uma dificuldade imensa para aceitar que estava tudo bem eu gostar de cuidar do meu cabelo apenas por gostar de livros e usar camisetas de super-heróis, isso porque sempre me mostraram que mulheres que faziam parte dessa cultura ou eram muito delicadas e bobas ou muito “indiferentes” e inteligentes. Isso é um problema muito chato, quando não se recebe apoio de nenhuma direção que você olhe, demora muito para você entender que meninas que fazem as unhas também podem salvar uma nação! Acho que, para que esse preconceito ao menos seja amenizado, deveríamos parar de tentar introduzir o verdadeiro universo feminino dentro da cultura geek, na sim o contrário. Não esperem a cota de uma personagem feminina nesses conteúdos em que elas são escritas e descritas pelos mesmos caras que nos chamam de burras, façamos nossas coisas e do nosso jeito. Eles acham que maquiagem é coisa de menina? Então façamos os melhores cosplays já vistos e looks do dia a dia inspirados em nossas personagens preferidas (a). Façamos nossas próprias histórias com meninas fortes e roupas maravilhosas e aceitemos as que já estão aqui e, com isso, não estou falando apenas da Mulher Maravilha ou das Meninas Super Poderosas… A princesa Merida lutou contra um urso enorme que um dia tirou a perna do pai dela para mostrar que não precisava de um rei ao seu lado para governar seu reino, a Mulan mesmo que com uma falsa identidade lutou por seu povo e foi mais forte que muitos soldados… Como elas não fazem parte da cultura geek, sendo que ela é repleta de personagens desse padrão só que masculinos!? Enquanto construimos nosso universo, devemos (por conselho das nossas garotas geeks) manter a calma. “Não estou dizendo que tolerar isso é uma opção, mas é preciso ser estratégico, é difícil mudar pensamentos enraizados. Essas pessoas têm algo em comum: têm como verdade somente a opinião delas e, para mudar isso, é preciso agir de dentro para fora, dentro dessas pessoas.” Safira sugere, mas também é preciso lembrar que não somos nenhum animal de espécie rara: “Deveríamos normalizar meninas serem nerds, até porque não deduzimos que todo garoto com óculos juliet é um maloqueiro. Também deveríamos ser menos submissas, por que ao invés de questionar o motivo das perguntas nós respondemos ela?” aponta Elaine E, para as pessoas que ainda que ainda nos julgam, Nicolle sugere : “Talvez se as pessoas estivessem mais dispostas a conhecer as coisas, antes de julgar, ajudariam. Hoje tem muita coisa da cultura nerd que é considerada mainstreaming (como a Marvel mesmo), mais popular e tal…Mas a grande maioria das coisas ainda recebe preconceito, e são poucas as exceções que são aceitas. As pessoas precisam aprender a parar de colocar as coisas em caixinhas.” Safira apontou (sabiamente): “A única aceitação de que precisa vem de dentro, é também a única que deve aprender a se importar. A liberdade de ser você mesmo deve ser o motivo de orgulho suficiente.” Então siga não só o conselho dela, mas também o de Nicolle; “Eu queria que as pessoas tivessem me dito mais vezes pra ser eu mesma e pra não me obrigar a curtir coisas que os outros acham que eu devo curtir. Se você quiser ver um filme de herói, e depois um filme da Barbie, sei lá, isso é tudo você. Você não é estranha por isso e isso não influencia a sua orientação sexual, se você tiver que se descobrir dentro da comunidade LGBTQ+, isso vai acontecer em algum momento, mas não é o fato de assistir que supostamente não encaixa no seu gênero que vai definir isso.: Eu nasci pan, e me descobri pan. E eu escolhi gostar de cultura nerd porque é algo que me agrada e me deixa feliz.” e não se limite ao estereótipo, mas por último (porém não menos importante) acredite na Elaine quando ela diz: “Nunca se esconda e nunca se envergonhe de quem você é! Nós garotas podemos conquistar o mundo se quisermos e tem mais: Eles torram a nossa paciência porque tem medo, seja em jogos ou teorias, somos melhores que eles em muitos aspectos, então erga a cabeça, ignore se achar que deve e disserte se achar que deve também.” e assim, levante a cabeça e seja confiante, Leia Organa, Natasha Romanoff e Mônica Sousa ficaram muito tristes de ver garotas tão inteligentes rebaixando-se a pessoas com um pensamento tão delimitado quanto o desses incels. Existem conteúdos incríveis nesse universo, então deixe essas pessoas um p ouco de lado e divirta-se, as meninas indicaram conteúdos para todos os gostos! Elaine indicou ``Star Trek: New Generation “A Enterprise foi a que me conquistou para o mundo nerd. Meu pai tem o box da série, então, quando eu era pequena, pegava o box, ligava o DVD e fingia que estava mexendo nos painéis da nave.” e Doctor Who. Nicolle indicou um jogo: The Last of Us “ É um jogo que se passa num ambiente apocalíptico e no início a gente conhece a Ellie, que supostamente seria imune ao vírus que mata e muta as pessoas na história. A jornada toda do jogo é sobre ela e o Joel, o homem que se compromete em levá-la até um médico capaz de criar uma cura. É sobre recriar laços, sobre perda, e sobre o vínculo de pai e filha que os dois acabam criando ao longo do caminho, sendo que eles eram estranhos um pro outro. É o meu game favorito,” e Safira indicou o podcast Nerdcast “Acho que eu amaria quem me apresentasse o Nerdcast do canal jovem nerd. Eu vou indicar o aplicativo deles e a aba "nerdcast" além de ter um espaço feminino, eles misturam conteúdos nerds + teorias + conhecimentos técnicos. É muito bom.” Então, divirtam-se e orgulhem-se de vocês, garotas! A galáxia toda é de vocês. Sejam princesas, heroínas, viajantes do tempo e até mesmo se você for só uma garotinha com um coelho de pelúcia azul em mãos.

  • A cura Milligan

    Chegando com os dois pés na porta, A PESTE, abre a fase encabeçada por Peter Milligan em grande estilo. Na história, Constantine está saindo com a Doutora Pheobe e está em uma fase, razoavelmente bem (para o personagem, é claro). Quando, em uma noite com John, a doutora nota a inquietação do mago e resolve ajudá-lo. Ao abrir a camisa, ela nota uma ferida alarmante e gigantesca, que toma todo o tórax de John. Assustada, Pheobe colhe uma amostra para levar ao laboratório do hospital em que trabalha e a partir daí, começam as bizarrices que dá o ar de Hellblazer. Mesmo que eu tenha começado com: “Chegando com os dois pés na porta”, as primeiras edições têm um ritmo bem cadenciado, com a história progredindo bem, mas sem muitas enrolações. Com passagens pela idade média, em meio a peste negra e uma criatura feita de cascas de ferida, até uma edição especial de Natal, que também comemora a marca de 250 edições da revista (que está na ativa desde 1988). O encadernado lançado em abril de 2021, reúne as edições: 251 a 255 da revista Hellblazer, além da já mencionada, edição especial de Natal, N°250. Sendo a estreia do roteirista (e o último pelo selo VERTIGO) no personagem, o encadernado cumpre o que promete e se estabelece bem na cronologia das histórias. Eu pessoalmente, tenho algumas ressalvas sobre a arte. Porém, de tratando de histórias publicadas nos anos 2000, acho que ela entrega o que precisa e sem comprometer a narrativa. Nota final para Hellblazer- A PESTE: 7.5/10.

  • Alan Moore era um otimista(?).

    Em setembro de 1986, chegava às bancas, o que futuramente seria, uma das maiores obras-primas da nona arte. Watchmen é um quadrinho escrito por Alan Moore e desenhado por Dave Gibbons, publicado pela DC Comics. A história retrata os Estados Unidos na década de oitenta, vivendo a ameaça da Guerra-fria, com um pequeno detalhe, nessa realidade os super-heróis fazem parte do cotidiano das pessoas comuns, desde de 1940. Mas que,em 77,com uma segunda geração de vigilantes surgindo,se tornaram ilegais perante os olhos da lei, sendo aposentados prematuramente e obrigados a pendurar as capas e viver suas “vidas normais”. Com alguns remanescentes que permanecerão na ativa de maneira ilegal, como o sociopata Rorschach, ou começaram á trabalhar para o governo norte americano, como o Comediante e o Dr.Manhattan. Esse que de todos os “ heróis comuns”, é o único super-humano que existe neste universo. O plot dessa história parte do ponto em que o Comediante é assassinado repentinamente, por um “assaltante comum''. A partir daí, Rorschach começa a suspeitar que existe um assassino de vigilantes, que está caçando os super-heróis aposentados. A partir desse ponto, é preciso entregar o final da história. Então se você ainda não leu, fica aqui o aviso de spoilers. O quadrinho se encerra com a descoberta de que o assassino do Comediante, é um de seus ex-colegas de equipe, Adrian Veidt, também conhecido neste mundo, como Ozymandias, um super-herói e empresário que fez isso, porquê o Comediante estava investigando ele sobre suas pesquisas em uma base na antártica, onde Adrian planejava acabar com a tensão entre a União Soviética e os Estados Unidos. Seu plano era a criação de uma criatura monstruosa e gigantesca, que seria teleportada para uma das grandes metrópoles do mundo, para causar a destruição em massa e repentina em alguns milhões de inocentes. Com o intuito da criação de um inimigo em comu, acabaria com o perigo de uma iminente guerra nuclear, que devastaria a humanidade. A ideia de Alan Moore para o final deste quadrinho, era que: com um inimigo em comum, as guerras e ameaças de conflitos, iriam acabar e os países, até então, adversários se uniriam para alcançar um bem maior para a humanidade. Porém, como vimos com os exemplos do nosso cotidiano, essa era uma ideia muito otimista, e até utópica para o fim de conflitos armados. Acredito que com o maior protagonismo deste século até o momento, a pandemia da Covid-19, teve um dos maiores impactos na população, desde a gripe espanhola. Mesmo com uma doença assolando a humanidade, os conflitos armados continuaram na ativa, quase que sem cessar suas atividades. com 34 regiões em conflito durante a pandemia, vemos que nem a ameaça de um vírus mortal, foi capaz de gerar paz entre países com líderes obstinados na vitória sobre uma guerra. Com algumas exceções, como a Rússia e a Turquia em Abril de 2020, sobre a invasão da província de Idlib, na Síria ou o cessar-fogo temporário da Arábia Saudita com o Iêmen no mesmo mês. Mas muitas dessas situações foram apenas pausadas, sendo retomadas logo que se viu uma melhora no quadro geral de saúde. Um exemplo claro disso, foi o ataque da Rússia sobre a Ucrânia, nesta quinta-feira (24). onde Putin anunciou uma “operação militar especial” e em seguida, saiu a notícia das autoridades ucranianas de que pelo menos 10 regiões do país sofreram ataques nesta madrugada. Essa não é a primeira vez que uma obra com abordagem política de Moore é vista com olhares mais contemporâneos, como inocente ou otimista. Em V de Vingança, Moore escreve sobre uma Inglaterra regida por um líder fascista, inspirado em Margaret Thatcher no início dos anos 80, onde em meio ao autoritarismo e opressão, surge uma figura anarquista, inspirada por Guy Fawkes que vem para acabar com essa ditadura e trazer esperança para a população inglesa. Quando a obra foi concebida, Moore conta como queria dar forma ao mundo futurista da até então, futura década de noventa, partindo da ideia de que os conservadores perderam as eleições de 1983, e a partir daí, ele imaginou um futuro onde o partido trabalhista chegou ao poder e remove os mísseis do solo britânico impedindo que a Inglaterra virasse um alvo importante no caso de uma guerra nuclear. Mais tarde, cinco anos depois, em 1988, ele diz: “[...] se evidencia uma dose de ingenuidade na nossa suposição de que seria necessário algo tão dramático quanto uma guerra nuclear para lançar a Inglaterra ao facismo. Estamos em 1988 agora. Margaret Thatcher está entrando em seu terceiro mandato e fala confiante de uma liderança ininterrupta dos Conservadores no próximo século. Minha filha caçula tem sete anos, e um jornal tabloide acalenta a ideia de campos de concentração para pessoas com AIDS. Os soldados da tropa de choque usam visores negros; e suas unidades móveis tem câmeras de vídeo rotativas instaladas no teto. O governo expressou o desejo de erradicar a homossexualidade até mesmo como conceito abstrato. Só posso especular sobre qual minoria será alvo dos próximos ataques. Estou pensando em deixar o país com minha família em breve.” Não demorou muito para ver como essas obras (tanto Watchmen, quando V de vingança), tiveram seus finais, quase que resinificados para uma realidade utópica sobre como os líderes políticos só precisavam ver que guerras e conflitos são imbecis quando se tem uma ameaça muito maior que atingem a todos. E que quando trazemos isso a nossa realidade, vemos que o ódio sobre um “inimigo” pode cegar a visão de um líder, a ponto dele não enxergar esse mal muito maior, ou pior, quando eles usam isso para ignorar deliberadamente o real problema.

  • A Culpa é do John Green

    Recentemente completei uma coleção pessoal. Percebi que tenho todos os livros do John Green! E com isso, decidi começar um projeto carinhosamente nomeado "Maratona John Green", onde estou lendo todos os 08 livros publicados com escritas dele e, nesse meio tempo, decidi registrar e compartilhar essa maratona, portanto, daqui para frente, vou estar publicando resenhas sobre essas minhas leituras da Maratona Green. E é claro que o primeiro título seria o tão aclamado A Culpa é das Estrelas, um dos maiores sucessos do autor e que foi lançado em 2012 pela Editora Intrínseca, este que marcou uma geração de jovens usuários do Tumblr. "A culpa é das estrelas" narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar. Hazel e Augustus se conhecem em pontos muito extremos de suas vidas: Hazel está tentando sobreviver até chegar o dado dia de sua morte e Augustus Waters está, como ele mesmo diz, em uma montanha russa que só vai para cima! Seu câncer se estabilizou (com uma perna amputada) e agora tenta passar sua positividade para seu melhor amigo, Isaac que ficará cego. O principal ponto da primeira parte do livro é: cada um vê seu câncer de um jeito, tal como diria Hazel, como sua doença de estimação. Muitos leitores dão Hazel Grace como uma personagem chata e rabugenta, mas a verdade é que ela é só mais uma pessoa que cresceu como vítima do câncer, a altura do tempo que o livro se passa, ela já está conformada com a doença e sua falta de cura, então não esconde seu sarcasmo e muito menos seus comentários mórbidos sobre o câncer, porque ela como uma criança portadora da doença pode fazer isso (como privilégio do câncer). "Vai chegar um dia em que todos nós vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo que fizemos, construímos, escrevemos pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo ou pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobrevive a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos e vai haver outro depois." Mas como um homem romance, Augustus dá uma nova perspectiva de vida para a Hazel. A garota tem como livro favorito "Uma Aflição Imperial" um livro (ora, ora!) Sobre câncer e Gus, na tentativa de um flerte, lê a obre e se indigna sobre como Hazel leu um livro-enigma a vida toda e nunca saiu em busca de respostas! Como eu disse: cada uma aceita a doença terminal de uma maneira. Em busca dessas respostas, eles acabam entendendo mais sobre câncer do que com o livro, mais aí está a mensagem do livro inteiro: a culpa não é deles, não é do autor, da medicina e nem mesmo da doença. São coisas que não se prevê e nem se remediam, é uma falha de universo… É culpa das estrelas.

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