O Machismo na Cultura Nerd
- Lauryn Amaral

- 2 de jan. de 2023
- 7 min de leitura
Atualizado: 7 de jan. de 2023

Honestamente, a Aliança Rebelde seria a mesma sem a Princesa Leia? Ou Wakanda seria a mesma sem sua representatividade feminina? Analise tudo que elas fizeram em suas histórias, como agiram ao decorrer das situações presentes nas histórias e, se a sua resposta não for um “personagens femininas na cultura nerds são PERFEITAS” então você claramente precisa ler essa matéria e entender porque mulheres dentro do universo geek são tão importantes.
“Ainda é preciso reforçar a importância de valores que a cultura nerd nos ensina como sendo uma grande aliada na educação de jovens de modo geral, seja sobre preconceito, identidade de gênero, empatia...A cultura nerd ensina princípios.”
Safira Mendes, uma das entrevistadas, não deixa de ressaltar.
Garotos ainda sofrem bullying simplesmente por gostarem desse universo, só por ser algo que mexe com fantasia e realidade ao mesmo tempo e ainda estar “fora da bolha”.
“Acho que a parte mais difícil é o preconceito que nós (mulheres) sofremos, seja quando ficam questionando o meu conhecimento sobre o assunto ou até mesmo zombando por não saber de coisas que, para eles, são consideradas óbvias.”
Mas, como nossa outra entrevistada, Elaine Campos, nos conta sobre qual a parte mais cansativa de ser uma garota nerd, não é novidade para nenhuma pessoa do gênero feminino que o machismo está instaurado em nossa sociedade fazem anos e mais anos e nem que somos questionadas três vezes mais sobre nossos conhecimentos do que quando se trata de pessoas do gênero masculino.
Se fossem apenas os olhares estranhos quando se usa uma camiseta com referência aos Vingadores, ainda conseguimos seguir em frente um pouco mais confiantes do que quando somos quase fadadas a ouvir comentários desrespeitosos e inconvenientes. Elaine mesma relata que:
“Já passei por vários momentos que fui julgada por ser uma garota nerd. Na escola, os tão chamados “garotos nerds” amavam encher a minha paciência quando eu tentava conversar sobre Jornada nas Estrelas ou sobre jogos, além de ficarem perguntando várias coisas sobre o assunto e ser mais zombada se demorava para responder… Foi um período difícil.”
E, acredito que se isso fosse só na escola e com pessoas de fora, entenderíamos que é algo de fora e, em algum lugar, vamos encontrar nosso apoio…Mas o preconceito é instaurado até dentro de casa, como o caso que Nicolle contra sobre o que ocorreu com sua família e como lidou com isso:
“Minha memória não é muito boa pra lembrar de momentos específicos, mas minha família muitas vezes já insinuou que eu sou "um garoto" por gostar de Naruto, por exemplo. Eu gostava muito quando era mais nova, gostava de usar blusas, essas coisas e minhas primas são mais "femininas". Isso aconteceu quando eu comecei a gostar também do universo da Marvel, eu me dava bem com os meus primos e meu pai porque sempre consideraram isso como algo de menino, então falavam que eu era como um menino, etc, e começaram até a me perguntar se eu gostava de meninas por isso (o que não tem nada a ver). Eu acabei me afastando muito desse lado da minha família, hoje eles respeitam o meu espaço, mas me veem como "chata", "anti social"...Mas eu realmente evito reuniões de família, festas, essas coisas, não nos damos muito bem.”
Mesmo sendo a maior parte de pessoas que consomem essa cultura, a nossa representatividade dentro dos conteúdos continua sendo, na grande maioria das vezes, como personagens completa e unicamente sexualizadas (principalmente quando se trata de jogos e animes), fúteis, sempre tatas como se tivéssemos pouquíssimo intelecto e, principalmente, sempre tratadas como muito infantis (o que poderia facilmente ser pautado como sexualização infantil, mas isso é outra pauta) ou muito raivosas.
Nunca somos mostradas como fortes e ainda assim belas ao mesmo tempo, o que dá a entender que mulheres nerds são menos "femininas'' do que aquelas que não consomem “conteúdos masculinos”. Em particular, eu passei uma boa parte da minha adolescência me privando de sentir prazer em cuidar de mim: não me diverti aprendendo a me maquiar de várias maneiras, não usei vestidos e tive uma dificuldade imensa para aceitar que estava tudo bem eu gostar de cuidar do meu cabelo apenas por gostar de livros e usar camisetas de super-heróis, isso porque sempre me mostraram que mulheres que faziam parte dessa cultura ou eram muito delicadas e bobas ou muito “indiferentes” e inteligentes. Isso é um problema muito chato, quando não se recebe apoio de nenhuma direção que você olhe, demora muito para você entender que meninas que fazem as unhas também podem salvar uma nação!
Acho que, para que esse preconceito ao menos seja amenizado, deveríamos parar de tentar introduzir o verdadeiro universo feminino dentro da cultura geek, na sim o contrário. Não esperem a cota de uma personagem feminina nesses conteúdos em que elas são escritas e descritas pelos mesmos caras que nos chamam de burras, façamos nossas coisas e do nosso jeito. Eles acham que maquiagem é coisa de menina? Então façamos os melhores cosplays já vistos e looks do dia a dia inspirados em nossas personagens preferidas (a). Façamos nossas próprias histórias com meninas fortes e roupas maravilhosas e aceitemos as que já estão aqui e, com isso, não estou falando apenas da Mulher Maravilha ou das Meninas Super Poderosas… A princesa Merida lutou contra um urso enorme que um dia tirou a perna do pai dela para mostrar que não precisava de um rei ao seu lado para governar seu reino, a Mulan mesmo que com uma falsa identidade lutou por seu povo e foi mais forte que muitos soldados… Como elas não fazem parte da cultura geek, sendo que ela é repleta de personagens desse padrão só que masculinos!?
Enquanto construimos nosso universo, devemos (por conselho das nossas garotas geeks) manter a calma.
“Não estou dizendo que tolerar isso é uma opção, mas é preciso ser estratégico, é difícil mudar pensamentos enraizados. Essas pessoas têm algo em comum: têm como verdade somente a opinião delas e, para mudar isso, é preciso agir de dentro para fora, dentro dessas pessoas.” Safira sugere, mas também é preciso lembrar que não somos nenhum animal de espécie rara: “Deveríamos normalizar meninas serem nerds, até porque não deduzimos que todo garoto com óculos juliet é um maloqueiro. Também deveríamos ser menos submissas, por que ao invés de questionar o motivo das perguntas nós respondemos ela?”
aponta Elaine E, para as pessoas que ainda que ainda nos julgam, Nicolle sugere :
“Talvez se as pessoas estivessem mais dispostas a conhecer as coisas, antes de julgar, ajudariam. Hoje tem muita coisa da cultura nerd que é considerada mainstreaming (como a Marvel mesmo), mais popular e tal…Mas a grande maioria das coisas ainda recebe preconceito, e são poucas as exceções que são aceitas. As pessoas precisam aprender a parar de colocar as coisas em caixinhas.”
Safira apontou (sabiamente):
“A única aceitação de que precisa vem de dentro, é também a única que deve aprender a se importar. A liberdade de ser você mesmo deve ser o motivo de orgulho suficiente.”
Então siga não só o conselho dela, mas também o de Nicolle;
“Eu queria que as pessoas tivessem me dito mais vezes pra ser eu mesma e pra não me obrigar a curtir coisas que os outros acham que eu devo curtir. Se você quiser ver um filme de herói, e depois um filme da Barbie, sei lá, isso é tudo você. Você não é estranha por isso e isso não influencia a sua orientação sexual, se você tiver que se descobrir dentro da comunidade LGBTQ+, isso vai acontecer em algum momento, mas não é o fato de assistir que supostamente não encaixa no seu gênero que vai definir isso.: Eu nasci pan, e me descobri pan. E eu escolhi gostar de cultura nerd porque é algo que me agrada e me deixa feliz.”
e não se limite ao estereótipo, mas por último (porém não menos importante) acredite na Elaine quando ela diz:
“Nunca se esconda e nunca se envergonhe de quem você é! Nós garotas podemos conquistar o mundo se quisermos e tem mais: Eles torram a nossa paciência porque tem medo, seja em jogos ou teorias, somos melhores que eles em muitos aspectos, então erga a cabeça, ignore se achar que deve e disserte se achar que deve também.”
e assim, levante a cabeça e seja confiante, Leia Organa, Natasha Romanoff e Mônica Sousa ficaram muito tristes de ver garotas tão inteligentes
rebaixando-se a pessoas com um pensamento tão delimitado quanto o desses incels.
Existem conteúdos incríveis nesse universo, então deixe essas pessoas um p
ouco de lado e divirta-se, as meninas indicaram conteúdos para todos os gostos! Elaine indicou
``Star Trek: New Generation “A Enterprise foi a que me conquistou para o mundo nerd. Meu pai tem o box da série, então, quando eu era pequena, pegava o box, ligava o DVD e fingia que estava mexendo nos painéis da nave.” e Doctor Who. Nicolle indicou um jogo: The Last of Us “
É um jogo que se passa num ambiente apocalíptico e no início a
gente conhece a Ellie, que supostamente seria imune ao vírus que mata e muta as pessoas na história. A jornada toda do jogo é sobre ela e o Joel, o homem que se compromete em levá-la até um médico capaz de criar uma cura. É sobre recriar laços, sobre perda, e sobre o vínculo de pai e filha que os dois acabam criando ao longo do caminho, sendo que eles eram estranhos um pro outro. É o meu game favorito,” e Safira indicou o podcast Nerdcast
“Acho que eu amaria quem me apresentasse o Nerdcast do canal jovem nerd. Eu vou indicar o aplicativo deles e a aba "nerdcast" além de ter um espaço feminino, eles misturam conteúdos nerds + teorias + conhecimentos técnicos. É muito bom.”
Então, divirtam-se e orgulhem-se de vocês, garotas! A galáxia toda é de vocês. Sejam princesas, heroínas, viajantes do tempo e até mesmo se você for só uma garotinha com um coelho de pelúcia azul em mãos.





Comentários