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EXPOSIÇÕES DA UNIBES CULTURAL PARA O FESTIVAL DE FOTOGRAFIA DE SÃO PAULO

  • Foto do escritor: Lauryn Amaral
    Lauryn Amaral
  • 15 de jun. de 2024
  • 1 min de leitura

Na última terça-feira (30/04) tive a oportunidade de ver três exposições de fotografia no Unibes Cultural para o Festival de Fotografia de São Paulo, sob a direção de João Kulcsár, curador de exposições fotográficas no Brasil.



CIDADE REVELADA: FOTOGRAFIAS DA FOLHA DE SÃO PAULO.

A primeira exposição conta com trinta fotos icônicas do acervo da Folha, que como diria o meu professor de fotografia “é puro fotojornalismo”.


As imagens trazem uma visão forte do que realmente é a grande São Paulo: cenas fortes que nos lembram de como a cidade começou, que mesmo com tamanha desigualdade social, ainda se vê a força de vontade da população paulista nas manifestações e que, claro, é tudo “documentado” e publicado para todos verem pelos grandes meios de comunicação.


Contamos com registros muito pesados do início ao fim da exposição, como a forte imagem capturada por drone das covas e túmulos das inúmeras vítimas da Covid-19, manifestações dos entregadores de aplicativo para melhores condições de trabalho, a precarização das condições de vida nas favelas e até mesmo cenas históricas: como a intervenção da polícia no show do Racionais Mc's na Virada Cultural e a manifestação “Diretas Já” no período da ditadura, na Praça da Sé.

CIDADES (IN)VISÍVEIS, FOTOGRAFIA FEIRA POR DEFICIENTES VISUAIS.

Essa sem dúvidas foi a que mais me chamou a atenção. São 15 fotografias, impressas em tecido, tiradas por deficientes visuais, propondo uma discussão sobre estética e técnica para fotografar.


Tem como temática as paisagens de São Paulo, como a foto da estação do querido (ou não tão querido assim) Metrô de São Paulo, a frente do MASP e o lindo teto da Pinacoteca.


Não me chamou a atenção apenas pelas paisagens bonitas, mas também sobre apenas os títulos dessa exposição terem traduções em braille e QR Codes que tão acesso a áudios sobre as fotografias, acredito eu que foram narrados pelos próprios fotógrafos. Confesso que fiquei com receio de tocar nos quadros com as fotos, porém, olhando mais sobre a exposição no site Da Unibes Cultural, descobri que algumas fotografias desta sessão são táteis.

SONHOS DA LANTERNA MÁGICA

Feita por Elena Givone, artista visual e escritora italiana, a exposição traz pequenos relatos de crianças em situações de vulnerabilidade, sejam estas refugiadas, órfãs, moradoras de favelas ou detentas na prisão juvenil, contando sobre quais os sonhos destas crianças, o que elas iriam pedir à “Lanterna Mágica”.


A ideia de Elena é não contar sobre a dor, mas sim nos convidar a sonhar com um mundo onde os sonhos destas crianças se realizam.


Para quem está lendo esse texto, podem parecer sonhos simples ou totalmente imaginários, mas para aquelas crianças, podem ser sonhos distantes. Muitos sonham em ser professores ou em viajar, sonham em conhecer e ensinar outras pessoas e é algo totalmente simples, como aqueles que sonham em serem professores, puros, como quem pedia chocolates e, por vezes, tristes, como o caso da menina que sonhava em ter um amigo.


Outra coisa interessante é que vemos o rosto das crianças e seus nomes, mas não estamos a par de sua situação, apenas que não é algo bom, mostrando que não importa a gravidade, é necessário ajudar essas crianças a realizarem seus sonhos.


A minha favorita foi a primeira, que sonha em viajar para o exterior, ser professora, ter um carro grande e ganhar chocolates.

DO COMPLEXO AO SIMPLES.

O interessante sobre a junção destas três exposições é que estão exatamente nessa ordem e expostas em uma passarela, o que me trouxe a reflexão sobre como cada pessoa enxerga não apenas São Paulo, mas o mundo.


Ver a Cidade Revelada, com suas imagens caóticas de preconceito, desigualdade e tragédia nos traz um grande impacto, mas ver a Cidades (In)Visíveis mostra como parar por três minutos e sentir a paisagem pode ser belo, é preciso tentar ver o simples para não morrer de medo de tudo e assim, pensamos que é preciso cuidar das paisagens para acabar com a violência e permitir que os desejos feitos para a lanterna mágica se realizem.

O Festival de Fotografia de São Paulo vai de abril até junho (2024), com várias atividades!

Infelizmente, a exposição da Elena Givone já acabou, mas as outras duas exposições vão de 27 de abril a 25 de maio.


O Unibes Cultural fica na Rua Oscar Freire, 2500, São Paulo - SP, ao lado da saída da estação Sumaré (Linha 2- Verde) e vale a pena conferir toda a programação do festival lá no site deles e participar o máximo possível destas atividades muito interessantes.

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