
Um ano de encher a estante.
- Lauryn Amaral

- 7 de jan. de 2024
- 17 min de leitura
Sempre tive vontade de fazer essas retrospectivas do que li porque em um ano leio muita coisa e sempre quero compartilhar essas leituras com alguém… E agora eu tenho vocês aqui no Godê, então… Acompanhem aqui um pouquinho sobre todos os livros que li em 2023 :) alguns livros não estão aqui porque já têm resenhas separadas aqui no site, irei listar e falarei bem por cima deles no vídeo que pretendo fazer e se quiserem ver as resenhas completas, é só procurar aqui no site (são os livros: Astronauta: Integral, Tartarugas até lá Embaixo, O Teorema de Katharine, Antropoceno e Will & Will)
● Sandman: volumes 11 e 12
Isso não é um quadrinho, é uma experiência!
Li todos os outros volumes em 2022 e mesmo assim continuo querendo cada vez mais. Contudo, sou suspeita de falar sobre Sandman, uma vez que me importo muito com: 1- a história do livro; 2- o livro e 3- a história do livro comigo.
Sandman foi uma indicação (lê-se intimação) do Zatara no nosso primeiro encontro, onde o encontro inteiro, que era para conhecermos mais um do outro, eu acabei conhecendo tudo sobre Sandman porque comentei que gostava muito de HQs e sim, acreditava em sonhos.
É um quadrinho fácil de entender se você é aquele leitor que mergulha dentro das histórias e consegue ver cada canto do quadrinho: a escrita, a ilustração, detalhes de margem, títulos e afins. Sinto que se você perde as referências ou os detalhes do desenho, não vai pegar toda a emoção presente.
É também uma boa leitura para refletir sobre você, o universo ao seu redor e como as coisas acontecem, ainda mais se você, assim como eu, se pergunta muito porque sentimos tantas coisas, por que as coisas acabam e por que acreditar em sonhos, por que eles parecem tão reais. É um universo completo e muito legal de conhecer, senti em todas as edições que eu era uma criança lendo contos de fada que pra mim sempre são tão reais.
Com 5 estrelas para essa leitura, termino minha “análise” aqui porque acho que, para se aprofundar em Sandman, jamais poderei fazer sozinha, Zatara precisa dissertar comigo sobre.
● Tina: Respeito
Entrei em um hiperfoco que consiste em colecionar Graphics MSP e como uma jornalista apaixonada, jamais poderia não ter essa graphic na minha estante.
Tina: Respeito, da Fefê Torquato, conta sobre a Tina (gente, pelo amor do santo que vocês acreditam, se vocês não sabem quem é a Tina, procurem urgente, Maurício acertou muito na criação dessa hippie) realizando seu sonho de jornalista recém formada: trabalhar em uma redação e os vários problemas que a vida adulta traz junto de seu sonho.
Não sei se eu conseguiria me identificar menos logo com esse quadrinho tão real, porque acredito que isso acontece muito com novos adultos, principalmente mulheres: você cresce com um sonho, um planejamento, vontades, gostos… E você precisa guardar tudo isso, tomar uma personalidade completamente no modo sobrevivência só porque você é uma mulher e, se você não fizer isso, o mundo te derruba.
Pouco se fala sobre esse assunto (infelizmente) e eu poderia dizer que ela passa por isso porque escolheu “uma profissão predominantemente masculina” mas seria uma grande mentira! Afinal, qual profissão (daquelas que não implicam em trabalhos de educação e cuidado) não está dominada por homens? E o pior de tudo isso é: Porque eles não conseguem ficar tranquilos e passíveis em um mesmo ambiente que mulheres? Isso é bizarro.
Veja bem, a Tina, assim como muitas mulheres, só queria trabalhar em paz na sua profissão, mostrar seu talento naquilo que ela gosta, pagar as contas da sua casa tranquila e viver, mas aí ela precisa ativar todo um modo sobrevivência, que consiste em precisar provar toda hora que ela é forte, que tem capacidade (sendo que, se ela não tivesse capacidade, sabemos que ela nem teria se formado em jornalismo), precisar falar antes ou mais alto se não vão cortar a sua fala ou roubar sua idade, precisar ser autoritária, falar mais séria e ser lida como grossa… Porque tem um homem enchendo o saco dela e isso, na visão do resto do mundo corporativo, anula todas as 87 qualificações que ela tem.
Sinceramente, quantas vezes vocês viram um homem precisar se dobrar em 30 pra ser dito como minimamente bom em sua profissão?
É uma leitura muito mais que necessária, com uma arte maravilhosa (eu adoro pinturas em aquarela) e um assunto complexo, porém que, com mais respeito, pode ser resolvido.
● Daisy Jones & The Six
Acredito que posso colocar esse aqui como o meu livro favorito do ano! Não sabia que Taylor Jenkins Reid iria me proporcionar uma obsessão no mesmo patamar de Evelyn Hugo.
Daisy Jones & The six conta (muito por cima para não dar spoilers) sobre uma grande banda de rock, uma grande cantora de rock, fofocas e como esses astros também tem uma vida… Tudo isso com muito rock.
O melhor é ver como Daisy Jones & The Six se tornou tão real, com disco, série, indicação ao Grammy… Que era algo que eu sentia muita falta, aquela coisa de acompanhar uma banda de rock e viver algo que não é da minha geração, como ter fitas e discos de uma banda, pensar na possibilidade de um show (ainda sonho com isso).
É uma leitura divertida e intrigante, Taylor Jenkins Reid sabe como escrever sobre a fama. Além de prender o leitor do começo ao fim, é um romance sincero (falo da história, não dos personagens, é cada falsidade que chega a ser engraçado) que conta sobre amadurecimento é que a consequência disso é fazer o que é certo e não o que nós queremos.
● Mordida
O quadrinho mais fofo do universo inteiro! É um compilado de tirinhas fofas de um romance entre uma vampira e um lobisomem.
Eu gostei de como ele é fofo, divertido (eu adoro humor irônico e sarcástico) e leve. É fácil de ler e todas as ilustrações são uma graça, além do charme que é a capa.
● Almanaque Heartstopper
Acredito que esse livro é mais um “item de colecionador” de Heartstopper e eu particularmente sou uma grande fã dessa história tão maravilhosa.
E se você também é fã do casal mais gay dos quadrinhos, esse almanaque será um daqueles abraços gostosos, porque é totalmente aquilo que você sente quando lia uma matéria do seu filme favorito na revista da Capricho.
● Nick e Charlie
Ainda sobre Heartstopper, se você amou os quadrinhos, vai chorar a cada 5 páginas deste livro sobre o casal principal.
Para dar um contexto, Nick está indo para a faculdade e Charlie vai começar o último ano do ensino médio e isso tem tudo para distanciar os dois, um namoro a distância pode ser bem complicado.
Não é uma leitura sobre dependência emocional (como já vi muitas pessoas citando sobre Heartstopper), mas sim sobre inseguranças. Charlie tem muito medo de ser substituído, de ser esquecido e um medo mais absurdo ainda de tudo simplesmente dar errado e todas essas possibilidades que ele imagina constantemente fazem ele se afastar do Nick sem nem perceber. Sinceramente, eu entendo muito o Charlie, quando se passa por muitas situações ruins, é muito difícil aceitar um amor genuíno e saudável.
O livro mostra que, quando nos permitimos viver as coisas boas acreditando que merecemos, tudo se torna bom e leve, além de ensinar que amar também é deixar a pessoa livre para viver suas próprias experiências.
● O Pequeno Príncipe
Vejam bem, acredito que nesta altura do campeonato, ninguém mais precisa de uma resenha sobre O Pequeno Príncipe, então, em um geral, é um livro muito marcante para mim porque demorei muito tempo para ler, minha vó me deu um exemplar quando eu era muito nova, na primeira vez que me levou a Bienal do Livro e minha mãe a perdeu, então nunca ganhei outra edição e nem podia comprar uma nova.
No ano passado, Zatara me deu uma edição linda em capa dura, no nosso aniversário de 1 ano e eu pude ler de fato o livro inteiro (mesmo meio que sabendo de tudo).
É quase uma leitura obrigatória, não só por ser clássico, mas porque é boa e tem um fictício muito verdadeiro.
● A Solidão dos Números Primos
Eu li esse livro quando estava no primeiro ano do ensino médio, mas não porque escolhi ele e sim porque ele me escolheu.
Meus amigos entraram em uma tentativa de entender porque eu leio tanto, então todo mundo pegou um livro na biblioteca. Mas as semanas iam se passando e todo dia eu via esse livro intacto na mochila do meu colega, o título e a capa me intrigava muito, achava diferente e, com muita revolta sobre ninguém estar apreciando essa obra, peguei da bolsa dele e falei que ia ler, depois eu devolvia na biblioteca, ele disse que pegou o livro porque achava que era algo sobre matemática.
Contudo, a matemática é uma mera metáfora amorosa nesta obra gigantesca de maravilhosa. Eu lia cada página maravilhada de como alguém tão ruim (eu posso falar isso, ele não é mais meu amigo) tinha achado um livro tão bom.
É um livro triste, revoltante, por vezes me deu um pouco de medo pela estética que imaginei para ele, mas você entende o porque de todas essas emoções e porque ele é tão corajoso na forma que é escrito, nada é censurado, escondido ou falado de forma poética, ele é… sério, por isso é um tapa na cara que você aceita levar pelo menos umas 3 vezes.
No final daquele ano, fui quase cercada pra devolver aquele livro para a escola porque eu não queria! Devolvi a muito custo, mas nunca mais achei ele em lugar nenhum.
No ano passado, fui feliz como nunca no meu aniversário porque achei um exemplar dele e me dei de presente, hoje eu tenho o meu livro favorito se exibindo na minha estante.
● Mooncakes
Fui completamente coagida a comprar essa HQ depois de ver um vídeo de uma moça dizendo que ele cheirava a cupcakes e que o cheiro nunca saía.
A história é sobre uma bruxinha apaixonada por uma lobo não-binária e, enquanto elas estão destruindo uma força do mal que paira sobre o local que a bruxinha mora com sua avó, estão tentando assumir que se amam.
Uma coisa que me faz amar esse quadrinho é que ele não gira em torno do “se assumir” homossexual, elas apenas são o que são, ninguém tem nada a ver com isso e todos sabem que não tem nada para assumir ou virar, é algo delas. Existem outras cobranças e responsabilidades do que se preocupar com o gênero que outra pessoa se apaixona.
Fora que é um quadrinho super inclusivo não só sobre linguagem e gênero, mas também sobre deficiências, gostos e diversidade.
● X-Men: Deus ama, o Homem Mata
Galera, que baque é esse quadrinho! Lembro que, quando terminei de ler, fiquei dois dias sem reação e em completo silêncio, lembro até que na mesma semana, saiu uma notícia mega parecida com a história e foi bizarro.
É um quadrinho tão forte porque a história não é impossível, na verdade é muito fácil ver uma situação daquelas acontecendo no mundo real.
● Turma da Mônica: Integral
Toda vez que olho para esse integral na minha estante, um sentimento inexplicavelmente bom me invade.
Eu sempre fui fã e quase uma colecionadora da Turma da Mônica, queria tudo que era da turminha e quando vi a graphic de Lições nas propagandas dos gibis não foi diferente, falava toda hora que “aquele gibi eu não tinha e nem chegava na assinatura, precisava comprar” e meu avô me convenceu, de alguma forma, que aquele “livro” não era da Turma da Mônica.
Desde então, me desliguei da ideia de ter aquele gibi, me lembrando sempre de que eu não podia ter um daquele porque era muito caro.. Até o Zatara aparecer decidindo realizar todos os meus sonhos.
Ela não foi a minha primeira graphic, mas para mim, é a mais importante.
Além de serem histórias lindas sobre amizade e muito engraçadas de ler, existem várias referências sobre todo o universo do Mauricio de Sousa e nem sei se consegui pegar todas!
Eu sou apaixonada pelos traços e cores de Vittor e da Lu Caffagi desde pequena! É um desenho fofo e que retrata muito bem a imagem de infância, deixando tudo mais bonito e divertido.
Essa edição vai além das memórias, ela chega até os sentimentos e traz toda a serotonina do mundo!
● O Guia do Mochileiro das Galáxias
Confesso que terminei essa saga na base do ódio, porque achei a leitura muito maçante e pacata, mas, no final das contas, é uma boa história.
Pode ser que eu pense assim porque não é o tipo de livro que costumo ler (a vontade surgiu quando via anúncios da Comic Con com muitas referências a esse livro e não entendia nada), mas alguns estereótipos chatos foram deixando a leitura bem decepcionante pra mim porque comecei a focar muito nisso e não nas coisas engraçadas e coincidências irônicas e a crítica que a história traz.
É uma história engraçada, interessante apesar de que, se você for chatinho como eu sou, vai ler muitas coisas com o pensamento de “puta que pariu, eu não aguento mais ouvir os problemas desse homem, eu não aguento mais saber que vou passar 5 volumes vendo o Universo, a vida e tudo mais na visão de um homem, antes fosse visto por um extraterrestre, uma mulher chata, mas na visão do Arthur, um claro homem padrão, está sendo torturante.”
Como eu nunca vi resumos e nem resenhas que realmente explicam o Guia, não vai ser aqui que isso vai acontecer porque é uma história com muitas referências únicas e que sim, precisa ler os 5 volumes com todo cuidado e tempo do mundo para entender o final da história. Se você se desprender um pouco da vida do Arthur (como ele também deveria fazer) se torna um livro bem legal.
A única nota que posso dar sobre o Guia é: a instrução da toalha é muito real, gente, levem isso pra vida.
● Amêndoas
QUE LIVRO MARAVILHOSO! Li completamente influenciada pelo Yoongi e li em dois dias a muito custo porque não queria que ele acabasse.
Amêndoas conta sobre a dura vida de um garoto que nasceu com uma condição neurológica: existe uma estrutura específica que nasceu e se desenvolveu menor e mais lento do que geralmente acontece, assim se assemelhando muito a amêndoas.Esta condição incapacita ele de identificar ou expressar sentimentos.
Isso mesmo que você leu, ele vive sem emoções, ele não sabe sentir dor, tristeza, amor, medo, felicidade, absolutamente nada porque ele não entende como fazer isso e tipo, as pessoas simplesmente não sabem que ele tem essa condição, porque vem aquele preconceito horrendo com qualquer coisa que seja fora do padrão.
É muito angustiante estar em uma situação em que você não entende o que está acontecendo, por que as pessoas estão rindo ou estão chorando, é vergonhoso ser a piada da sala e não saber que é a piada da sala, é difícil tentar acolher uma pessoa que você não faz ideia do que ela está sentindo, ver uma pessoa brava (ainda mais com você) e não saber o que aconteceu exatamente pra que ela ficasse assim, é chato ser a única pessoa da roda que não riu da piada porque não entendeu qual a graça.
Agora imagine viver isso diariamente, se tomando de uma culpa que você não sabe o motivo e ver que as pessoas fazem isso sem saber das suas limitações, elas só são más por natureza… E você também não entende quando as pessoas estão sendo maldosas e vão te machucar.
É uma história que você chora no começo e no final você fica igual no começo. Você percebe a maldade não só das pessoas, mas também a da vida, vê o quanto as coisas são injustas e que, na maioria das vezes, as pessoas mais puras e gentis, são as “diferentes”
● A Cegueira Iminente de Billie Scott
Esse quadrinho foi adquirido aos 45 segundos do segundo tempo na PocCon, no único momento em que Zatara me deixou sozinha, dando espaço para um vendedor perguntar se eu gostava de arte.
Billie Scott é uma artista muito foda, que finalmente teve a oportunidade de expor sua arte ao público em uma exposição muito importante e, para tal evento, ela precisa fazer uma coleção de quadros exclusiva. Mas como a vida ama foder justo os artistas, Billie começa a perder a visão e precisa se virar para fazer os quadros. Nessa jornada, ela conhece pessoas e vive experiências incríveis, mostrando que a arte ultrapassa todos os limites existentes.
É gostoso de ler e as ilustrações são maravilhosas, além de trazer bastante diversidade.
● República 7 (vol. I e II)
Li República 7 em um momento muito gostoso, em uma época em que uma amiga começava a ler (ou já tinha lido) uma fanfic, contava sobre como a história era muito boa e de repente todo o grupo estava lendo o mesmo livro e compartilhando as mesmas sensações, era melhor ainda quando a autora ainda estava publicando os capítulos e do nada, 4 horas da madrugada alguém mandava “FULANA ATUALIZOU A FIC!!” seguido de um link.
Por mais que a Kello faça muitos romances, esse livro é sobre amizade, companheirismo e família (de todos os tipos). Mas já deixo avisado que, se você é uma pessoa que possui algum tipo de preconceito implantando nos seus princípios e não está aberto a discussões e/ou tem gatilhos com diversos assuntos delicados (como transtornos alimentares, drogas, mortes, abuso e outros), você deveria pensar bastante antes de ler República 7.
As histórias da Kello não fazem muito o meu tipo de leitura, mas esse livro tem um espaço especial dentro do meu coração. Pode ser legal para aqueles que não gostam de fanfics, pois conta a história de 7 garotos que moram na República 7 e sobre como eles vão crescendo e evoluindo juntos, mostrando que, na maioria das vezes, ter um amigo é tudo que precisamos.
Fora isso, deixo uma opinião minha sobre como essa é uma das capas com ilustrações mais bonitas que a Editora Euphoria possui e bem diagramado, que é um quesito que às vezes ela peca um pouco.
● Sobre Todas as Bandas de Rock que eu não conhecia Antes de Conhecer você
Essa aqui é a minha fanfic favorita e, para quem me acompanha nessa bolha, é meio difícil de acreditar porque não é um shipp que eu acompanho nas fics, mas tem um ponto que as fanfics jikook não tem e que é muito meu ponto fraco: Kim Taehyung protagonista galanteador e artista, que no livro é o charmoso Daniel.
“Sobre Todas as Bandas de Rock” me traz uma sensação de familiaridade, porque se passa nos anos 2000 e, por mais que eu fosse uma criança, me faz lembrar de muitas coisas, como lembrar da minha mãe gravando CDs com compilados de músicas. Fora que trás duas coisas que eu também amo e entendo bem: Queen e Britney Spears.
Eu senti TUDO que é possível sentir com esse livro: ri, chorei, me apaixonei, me irritei, passei uma semana sem ler quando chegou na parte triste porque não conseguia aceitar que aquilo estava acontecendo com o meu casal favorito e chorei horrores, tipo, os mais horrorosos choros possíveis lendo o final e percebendo a linha do tempo que se passa o livro quando no final a Amy Winehouse é citada. Eu choro até hoje se ler novamente ele dizendo que, se o Daniel vai lhe escrever uma enciclopédia do rock, então ele vai fazer o prefácio.
É um daqueles livros que eu daria tudo pra apagar da minha memória e ter o prazer de ler de novo pela primeira vez, principalmente quando me lembro que foi aí que comecei a estudar sobre Jimi Hendrix e o Axis.
● Turma da Mônica Jovem: Sombras do Passado
Eu citei aqui que sou quase uma colecionadora quando se trata de Turma da Mônica e Sombras do Passado é o meu arco favorito de TMJ (muito mais do que Umbra) e li ele ainda no formato de gibi, lia de noite, sozinha na cozinha morrendo de medo e escondia ele na gaveta na hora de dormir porque a edição brilhava no escuro.
Acontece que, quando estava para completar os 100 números da primeira série da TMJ, meus gibis sofreram um atentado, tal como o incêndio na biblioteca de Alexandria, que me fez perder TODOS os meus gibis e livros para a chuva ou roubo, desde então eu fiquei perdida sobre os quadrinhos da TMJ e nem comprei novos volumes… Até ver as edições de luxo com os arcos “clássicos”.
Sempre tive muito medo de histórias de terror, mas me amarro em um mistério e histórias que se conectam, então todas as edições de terror na Turma da Mônica são um evento para mim, gosto de como até nos piores momentos tem humor, palhaçada e lendo hoje, não sei como eu conseguia dormir sozinha porque o desenho parece deixar tudo mais real e pesado.
Ainda leio esses como se fosse a primeira vez e é muito legal ver como os fãs ainda falam sobre essa saga, mostrando que no fundo TMJ tem tudo para ser muito terror e como a história não acabou.
● Hearts Don't Break
É muito chocante pensar que a Anya que escreveu Polêmico e a Anya que escreveu Hearts Don't Break são a mesma pessoa.
É outro daqueles livros que pessoas com muitos gatilhos e/ou muitos preconceitos devem pensar bem antes de ler, é realmente bem pesado apesar de legal.
Por mais que em alguns aspectos seja muito fantasioso no quesito drogas e vícios, gosto muito de como os personagens da Anya sempre tem uma história muito bem estruturada e se resolvem de um jeito muito bom, sem deixar buracos na narrativa, além de serem fofos e engraçados sempre.
● Louco: Fuga
Realmente é uma graphic muito louca, não entendi nada.
Entendi mais ou menos quando li a segunda vez (logo após terminar a primeira) e, no meu entendimento né, traz muito a ideia de proteger a essência que a infância traz: que nada mais é do que a imaginação, a loucura.
A ideia da fuga dos guardiões me traz não só a ideia de fugir do padrão e da normalidade, mas também da personalidade que adultos ganham sem poder devolver, que é a ideia de ser mais racional do que emocional, não poder brincar e ficar 100% do tempo focado só nas responsabilidades, sem focar na diversão, porque, quando se é criança, você pode viver os dois lados da moeda.
● Magali: Receita
Um dos quadrinhos mais fofos e mais esperados por mim em 2023.
É uma leitura muito gostosa e traz uma sensação gostosa com o desenho e as cores, não sei porque, mas me dá uma sensação de que tudo relatado ali é uma lembrança.
Foi legal não só de acompanhar o diário que Carol Rossetti fez em seu Instagram, mas também porque poucas vezes vejo essa protagonista sendo explorada, sabemos muito pouco sobre a Magali no fim das contas, mas ela é uma personagem muito legal em todos os formatos que é feita (eu adoro ela nos filmes e na série) é foi muito legal ler uma graphic dedicada à ela, adoro como a Magali é engraçada sem perceber, fora que o autógrafo ficou uma gracinha.
● Mulher Maravilha: Sangue
Não vou me aprofundar muito aqui porque o Zatara tem um vídeo no TikTok dele explicando sobre Os Novos 52.
Porém, a história contada no quadrinho me deixou totalmente presa na leitura, é um daqueles que você perde noites de sono se for necessário. Não acho que posso entrar em detalhes porque qualquer coisa vai ser muito spoiler, mas acho que se você também gosta, é algo que meio que você PRECISA ler e, se você não é fã mas sente curiosidade, é uma boa história para começar.
● Clube dos 27
Esse quadrinho merece uma resenha só dele, mas preciso dizer aqui o quanto essa história é boa se você é um viciado em teorias da conspiração e rock.
Clube dos 27 conta sobre aquela teoria de que astros do rock morrem aos 27 anos pois, em algum momento, fizeram um pacto de sua alma em troca da fama, contando tudo de uma narrativa de mistério e com muitos fatos e referências, o que pra mim foi bem jornalístico, que são basicamente todas as coisas que eu mais gosto no mundo todo.
É um quadrinho MUITO completo! As ilustrações e a forma como os quadros são divididos são perfeitas, você consegue se encontrar mesmo não conhecendo todos os membros do Clube porque tem o rosto de todos nas contracapas, existe um “guia” das referências que estão na história e amei o posfácio, que traz uma visão de que existe uma linha muito tênue entre a teoria e a realidade… e elas podem se conectar se você se permitir acreditar nas coisas, além de ter uma explicação perfeitinha sobre o clube e a ligação das estrelas do rock com isso.
Espero um dia me envolver mais sobre o assunto e poder trazer aqui mais tópicos sobre teorias do rock e com certeza quero ler mais obras do Isaque Sagara.
● Batman: Gárgula de Gotham
Zatara leu esse antes que eu e quase implorou para que eu lesse também, mas eu estava com várias leituras na fila, até que ele apareceu com uma edição pra mim em um momento que me separei dele na CCXP e, na manhã pós evento, exigiu que lesse logo o quadrinho.
E se eu soubesse que é um quadrinho tão… Batman, eu teria brigado pra ler antes que o Zatara.
Não existe uma definição melhor do que “Batman” para a HQ, no roteiro e na ilustração, deixar o título como “Gárgula de Gotham” é muito, muito certeiro caras, tudo no quadrinho se conversa e dá vontade de ler a próxima.
Confesso aqui que tenho muita vergonha de resenhar sobre quadrinhos, principalmente de heróis, porque é muito fácil eu errar ou esquecer uma vírgula aqui e ser… julgada? Por saber “menos” do que deveria ou não ter uma opinião levada em consideração por ser dado de um ponto de vista de uma mulher e aparentemente isso me faz ser “bobinha” em relação a histórias em quadrinhos. Sei que mulheres têm ocupado mais espaço em meios assim, mas ainda é um medo que me prende muito, mas a única coisa que consigo dizer sobre essa HQ é que, gente… Rafael Grampá entregou tudo e mais um pouco, em tudo que encostou em relação a esse quadrinho aqui.
Então, meus leitores artistas, em 2023 foi isso :) Foi bastante coisa e espero que em 2024 também seja. Eu espero que vocês tenham conseguido alguma indicação legal aqui para as suas leituras de 2024 e, quem quiser conversar sobre livros que já leu dessa lista, que vai ler, ter alguma indicação… Conta para a gente aqui do Godê! Conta também o que vocês gostariam de ver mais aqui.
Até a próxima matéria!!








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