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Batman Begins (2005): o avô dos jogos de herói do século XXI

  • Foto do escritor: Zatara
    Zatara
  • 23 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Com o anúncio do novo jogo da franquia LEGO BATMAN, que não dava as caras (pelo menos como uma IPintellectual property — solo) há mais de 10 anos, LEGO BATMAN O LEGADO DO CAVALEIRO DAS TREVAS, foi anunciado na última terça-feira (19), durante uma apresentação no palco da gamescom, na Alemanha.


O game desenvolvido pela Traveller's Tales (Tt games) será lançado em 2026 e reunirá diversos universos onde o cavaleiro das trevas é o protagonista, como os filmes do Tim Burton, Christopher Nolan e até mesmo de mídias mais recentes como o filme de Matt Reeves.


Com uma jogabilidade que parece unir a nova estética utilizada em LEGO STAR WARS: THE SKYWALKER SAGA e a mais completa gameplay da série Arkham, o jogo parece ter empolgado gerações de fãs tanto os da LEGO quanto os da série Arkham. Mesmo depois de 20 anos de seu lançamento, LEGO BATMAN ainda consegue gerar frutos e referências.



Batman Begins (2005) nasceu como um produto paralelo ao renascimento do herói nos cinemas. O filme de Christopher Nolan anunciava uma fase realista e sombria, distante do excesso cartunesco dos anos 1990. O jogo, desenvolvido pela Eurocom e publicado pela Electronic Arts, lançado para XBOX e Playstation 2, chegou ao público com a marca de ser mais uma adaptação licenciada e, para a época, isso significava expectativas moderadas e até mesmo limitadas à essa perspectiva.


Jogos baseados em filmes geralmente cumpriam apenas a função de prolongar a experiência da sala de cinema. Mas, revisto quase vinte anos depois, Batman Begins parece guardar mais do que o simples reflexo de uma campanha publicitária: ele antecipou, de maneira ainda tímida, ideias que se tornaram centrais para a identidade dos jogos do “Cavaleiro das Trevas". Batman Begins era, de fato, ambicioso, contando com os atores originais do filme para reprisar seus papéis e dar voz aos seus respectivos personagens no jogo.


No contexto de 2005, os games viviam um momento de transição. Splinter Cell e Metal Gear Solid haviam popularizado o stealth como linguagem, enquanto títulos como Prince of Persia: The Sands of Time mostravam o potencial da ação em terceira pessoa com fluidez e narrativa.


Batman Begins se inseriu nesse cenário com uma ambição contida, tentando levar ao jogador a atmosfera carregada de sombras que Nolan havia concebido no cinema. O resultado foi uma mescla de gêneros: combate corpo a corpo direto, sequências de perseguição com o Batmóvel e, sobretudo, a aposta em um sistema de medo. Essa mecânica permitia manipular o ambiente para desestabilizar inimigos, soltar morcegos, apagar luzes e provocar explosões.


A ideia era clara: fazer com que o jogador não apenas encarnasse o Batman, mas também o mito do medo que o personagem projeta. Vista pela perspectiva de hoje, a jogabilidade é limitada, quase um esboço. O combate se resume a poucos movimentos, a furtividade depende de rotas previsíveis e o Batmóvel que, embora divertido em sua grandiosidade, é preso a corredores lineares. Mas, o que parecia rudimentar em retrospectiva era, na época, um respiro diante da enxurrada de adaptações superficiais que a indústria oferecia.


O jogo ousou dar um passo além do mínimo: ele não queria apenas reproduzir a narrativa do filme, mas testar linguagens interativas capazes de traduzir o peso psicológico do herói. E é aqui que está a sua importância. Se hoje reconhecemos a série Arkham como o ápice da experiência de ser o Batman nos videogames, é preciso enxergar em Batman Begins uma ponte para esse caminho.


A atmosfera realista, o uso do medo como ferramenta de combate e a insistência na furtividade já estavam ali, embrionários. A Rocksteady, poucos anos depois, expandiu esses conceitos com profundidade, mas é difícil não perceber no jogo de 2005 uma espécie de ensaio, um laboratório que preparava o terreno.


Revisitar o título é, portanto, mais um gesto de memória do que uma busca por prazer imediato de jogabilidade. Ele não resiste às comparações com o que veio depois, mas também não deve ser esquecido. É justamente no contraste com seus sucessores que sua relevância se torna clara.


Entre um passado de jogos promocionais esquecíveis e um futuro de excelência crítica e comercial, Batman Begins ocupa o espaço da transição, um lugar onde as sombras ainda não tinham forma definitiva, mas já anunciavam a chegada de algo maior. É nesse sentido que o jogo permanece fascinante. Não como obra-prima, mas como testemunho de um momento.


Um retrato de 2005, ano em que a figura do Batman se redesenhou não apenas no cinema, mas também no espaço interativo. Ele é imperfeito, limitado e datado, mas, em sua própria incompletude, já estava traçando um caminho sólido ao futuro. E talvez seja justamente isso que o torna memorável: a sensação de que, em suas sombras, já habitava a promessa do herói que os videogames mereciam.


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