Um labirinto de grandes talvezes.
- Lauryn Amaral

- 28 de nov. de 2022
- 2 min de leitura
“Quem é Você, Alasca?” foi a primeira obra de John Green a ser publicada, mas é muito difícil de acreditar que ele faz histórias tão impactantes desde sempre, que a piada dele ser um dos maiores assassinos literários da história é muito real e é mais difícil ainda acreditar que o cara que escreveu Augustus Waters é o mesmo que escreveu o Miles!
Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras. Cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez.
Mais uma vitima dos adolescentes do Tumblr, o livro conta a trajetória de Miles e seu ano no colégio interno de Culver Creek e, um ponto legal em homens escritos por John Green é: apesar de Miles ser o mais quieto e meio “nerd”, ele não é um cara indefeso como estamos acostumados a ler quando o livro é escrito por um homem. Miles é um babaca e com uma gigantesca síndrome (pessoal) de vítima, mas pelo menos ele fala e age de acordo com seu perfil.
O mais irônico é: ele é tudo que Alasca odeia e ainda assim é apaixonado por ela, mesmo que de uma forma completamente platônica. Pior que isso é ver ele se lamentando por nunca ter chances com garotas “gostosas” como Alasca porque elas namoram e ele é só mais um cara estranho, ele se lamenta tanto por amar Alasca que esquece de conhecê-la para amar.
O livro é literalmente dividido em um antes e depois e, no depois, vemos os melhores amigos de Alasca Young aflitos de saudades da garota, querendo resolver isso e mesmo sofrendo e vendo o sofrimento alheio, Miles prefere se prender em sua fantasia de um romance totalmente falso do que de fato ver, conhecer Alasca.
“Você não pode simplesmente se materializar e depois morrer, Alasca, porque agora eu estou irremediavelmente mudado. Sinto muito por tê-la deixado ir, mas você fez sua escolha. Você me deixou carente de talvezes, preso à porcaria do seu labirinto. E, agora, nem mesmo sei dizer se você escolheu a saída rápida e direta, deixando-me de propósito. Eu nunca a conheci, não é? Não posso me lembrar, pois nunca conheci.”
É apenas nas últimas… 5 páginas? Que descobrimos o que realmente aconteceu (mas confesso que se prestar bastante atenção, você descobre antes), assim como é nessas últimas cinco páginas que Miles percebe que: 1- ele não é o centro do Universo; 2- Alasca tinha uma vida e ela não foi escrita apenas a partir dele; 3- Alasca é a protagonista da vida dele e da dele, pois ele permitiu e 4- afinal… Quem é Alasca?






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